Continuação NO AR! PURO AZAR: www.puro-azar.blogspot.com

espero que gostem :*

Postado por Daay D. às 14h41
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(nem sei se vocês ainda vêm aqui :P)

Mas em todos casos, eu vim responder essa pergunta:

'Só por curiosidade por que não lança o livro? O que quê tem que fazer pra lançar? É difícil? Dá pra gente ajudar?'

ANA! Eu vi que tu comentou bastante aqui *-* Então resolvi responder suas perguntas, que são as mesmas que todo mundo pergunta. UASIOUASIOUOIASOIAS.

Bom, assim, chicas, não é fácil publicar, sabe. Eu já mandei Pura Sorte para a editora Record, por e-mail mesmo, mas eles não analisam material por computador. Eu tenho que mandar para a editora uma cópia, e me disseram que o processo de seleção leva um ano. Pois é. Eu também fiquei assim :O

Eu escolhi a Record porque, sabe, ela publica todos os livros da Meg, e eu acho que Pura Sorte é o estilo da Meg, assim... Mas eu poderia tentar em outras. Quer dizer, eu tenho que fazer milhões de cópias, encadernar e mandar para as editoras. Tudo bem, é bastante coisa, e mó dinheiro pra imprimir tudo isso, mas eu também não sei se eu estou disposta a isso. Quer dizer, eu não sei se iriam aceitar, entendem? Tá tão curtinho, e não venham me dizer 'faz mais capítulos!', porque a coisa não funciona assim :P Tipo, geralmente depois que eu termino eu não posso voltar atrás e escrever mais, embora, eu esteja muito a fim de rever isso. Tipo, não que eu fosse reescrever, nada disso. Só adicionar algumas cenas, sabe? Mas acho difícil depois de já ter feito tudo :x 

Se vocês podem me ajudar?

Giiiirls, vocês já ajudaram até DEMAIS! Haha.
Sério. Lendo comentário por comentário eu fico tão feliz que vocês gostem do que eu escrevo no meu quarto quando eu estou braba, ou feliz, ou quando eu não tenho nada para fazer.

Eu não sei de nada que vocês possam fazer para convencer uma editora a publicar! UIOUASIOUASIOASISA. Infelizmente. Mas assim, ajudaria se cada uma me dissesse as editoras que conhecem, e que trabalham com livros desse tipo. Adolescente e tals. É looógico que eu quero publicar, mas não sei se Pura Sorte é o livro certo para isso.

Eu estou escrevendo mais, é claro. Eu comecei um, que até já tinha postado o resumo lá no QSE, se chama Coisas de Garota. É sobre a guria que enterra uma caixa na praia e etc. E agora, mais recentemente, depois de começar a ler 1-800-where-r-you, eu me inspirei e comecei a escrever outra bem legal, que eu ainda não decidi o título. Mas aí, adivinha. Como o meu azar não podia me deixar feliz por dois segundos, eu perdi tudo que eu tinha escrito. Assim, perdi. Não abre mais o arquivo. E tava taaaaaaão bonitinho. Quer dizer, com aquela coisa do chapéu vermelho e tudo.

Ah, mas vocês não sabem. O caso é que aí eu desanimei. Tipo, vou ter que escrever tudo de novo, e não vai ficar igual como estava antes. Isso me mata um dia ¬¬

Booom, chega de papo. Só passei porque eu tava com saudades *-*
Bom, façam aquele negócio dos nomes das editoras, tá? :D
E se alguém, sei lá, se habilita a me dar uma opinião como vocês poderiam me ajudara a publicar, estou aberta a sugestões \o/

Amo vocês. Beeeijos ;*

E, ah, é. Feliz ano novo :)

Postado por Daay D. às 14h04
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         Capítulo 12

         Na mesma noite meu celular tocou e era Elisa, gritando do outro lado da linha.

         - Clara! Eu estou tão feliz! - ela disse.

         Será que ela já sabe sobre mim e Marcos? Meu Deus do céu, as notícias correm rápido.

         - Mas... - eu comecei a falar, mas ela me interrompeu.

         - Você nem sabe o que aconteceu! O Paulo me beijou no cinema! - o que?

         - Que? Como assim? - eu fiquei confusa percebendo que o assunto não era sobre mim.

         - Nós fomos ao cinema hoje mais cedo, eu não te convidei porque o Marcos me disse que ia passar aí, mas não vem ao caso, em fim... E daí no meio do filme, quando eu estava segurando a mão dele, porque o filme era de terror, e você sabe como eu sou medrosa, ele me puxou e me beijou! Dá pra acreditar?

         Paulo e Lisa? Eu nunca tinha imaginado os dois juntos, mas quando pensei até que formavam um casal bonito.

         - Nossa, Lisa! - eu não sabia o que dizer. Ela estava tão feliz, mas nunca havia me dito que gostava do Paulo ou algo parecido. Eu sabia, pelos meus métodos de garota, que ele tinha uma quedinha por ela. - Que legal! - eu sou uma péssima amiga, não sou? - E o que vocês fizeram depois?

         - Ah. - ela bufou. - Tive que ir pra casa depois, mas ele ficou me beijando o resto do filme! - disse ela, contente.

         - E você... Você gosta dele? Eu não me lembro de você ter mencionado nada. - falei cuidadosa. Não queria estragar o momento de felicidade dela.

         - Você estava muito ocupada beijando o Marcos esses últimos meses... - ela respondeu.

         - Ah, Lisa! Me desculpa! - será que eu fiquei assim tão apaixonada que esqueci das amigas? Será?

         - Capaz, Clara. E você com o Marcos?

         - Fizemos as pazes. - eu disse alegre.

         - Que ótimo!

         - É, acho que agora podemos fazer um daqueles programas caretas e sair em par. - eu disse rindo.

         - É. Só espero que o Paulo fale comigo amanhã. A gente quase não falou nada, sabe como é... - eu ri.

         Era ótimo ver Elisa contente.

         E o pensamento de todos nós juntos, os quatro amigos, me fez sorrir.

 

         Na segunda-feira de manhã eu levantei bem disposta, pensando que veria Marcos e Elisa contentes quando chegasse ao colégio.

         Eu estava nas nuvens. Marcos não saia da minha cabeça e foi naquele mesmo domingo que eu contei aos meus pais que estava namorando há três meses e que eu queria muito que eles conhecessem Marcos. Minha mãe adorou, já meu pai queria esperar para ver.

         Eu estava nervosa e ansiosa ao mesmo tempo. Tinha certeza que meus pais iam adorar Marcos, mas o nervosismo me deixava agitada.

         Eu cheguei no colégio no mesmo horário de sempre, e quando saí do carro o encontrei encostado na parede do colégio, com a mochila nas costas, uma calça jeans, uma camiseta branca e uma jaqueta preta por cima. Sempre tão sexy. Aquele cabelo moreno arrepiado e o mesmo sorriso de sempre.

         - Bom dia, flor do dia! - ele me cumprimentou e meu coração acelerou de uma maneira confortável.

         - Bom dia. - eu respondi sorrindo também, e juntos entramos no colégio junto com vários outros alunos.

         Algumas alunas do ensino fundamental ainda olhavam Marcos com grande entusiasmo nos olhos. Aquela beleza não se acha todo dia, eu já disse, mas ninguém escuta.

         Sentamos juntos em todas as aulas e depois fomos juntos para o anfiteatro. Elisa e eu tagarelávamos enquanto a Sra. Ucker explicava à Marcos o que ele tinha que fazer na cena. Elisa estava tão feliz quanto eu.

         - Ele é ótimo... Ótimo. - ela repetia e repetia.

         Eu estava achando aquilo tudo muito engraçado. Digo, o modo como ela falava dele, e como os olhos dela brilhavam. Paulo sempre fora nosso amigo, mas sinceramente, eu nunca sequer pensei que um dia os dois fossem ficar juntos. E o mais engraçado de pensar era se eu também tinha ficado assim quando conheci Marcos.

         Tudo indicava que sim.

         Teresa passou o dia olhando atravessado para mim e para Marcos, que nem olhava pra ela. Eu jurava que ela ia fazer um barraco a qualquer momento, mas para minha surpresa ela ficou na dela. Talvez ela fosse esperar um pouco para tentar fazer alguma coisa, ou talvez nem fosse fazer nada. Mas a verdade é que eu nem estava mais preocupada com isso. Teresa podia fazer o que quisesse, ela não me enganava mais. E eu confiava plenamente em Marcos para me contar se ela tentasse alguma coisa.

          - Meus pais querem te conhecer. - eu disse a Marcos depois do ensaio para a peça, que, a propósito, estava cada vez melhor. Estávamos quase no final.

         - Ah, é mesmo? - perguntou ele, me abraçando pela cintura. - Eu acho que posso achar um horário na minha agenda para eles... - disse brincando. Eu ri.

         - Pode, não! Deve. - falei. - Além do mais, você tem que ir lá em casa mesmo, começar a ler o meu livro...

         - Livro? - ele ergueu uma sobrancelha.

         - É, sabe... Eu comecei a escrever uma história... Sobre uma menina totalmente azarada, que tem sorte de encontrar o príncipe de seus sonhos. - contei, sorrindo.

         - Ficção, hein? - disse ele, então me puxou para um beijo.

         - Totalmente. - eu disse depois do beijo.

         - Ok, se você insiste, eu vou. Quando? - perguntou.

         - Hum... Sexta-feira de noite pode ser? Uma janta?

         - Para mim parece ótimo. - então ele me beijou de novo.

         E de novo, e de novo.

         Nosso namoro era apimentado, sabe? Nós quase chegávamos lá, mas ele sempre parava antes. Eu agradecia por isso. Porque, vai que, no calor do momento, acontece? Eu sou muito nova para ser mãe. Tenho que fazer muitas coisas ainda antes de dar esse passo. É o que aquela música diz, não é? Um passo de cada vez. Além do mais, eu ainda tenho que ir pro Caribe com as gurias, tenho que viajar muito, e escrever muito. E namorar muito, também. Nós estávamos nota dez no quesito beijos. Ah, se beijos matassem eu já estaria mortinha. Mortinha da silva.

 

         - Ele deve chegar em cinco minutos. - falei nervosa para minha mãe.

         Nós estávamos sentados na sala de estar. Meu pai me olhava duvidosamente. Segundo ele, eu só poderia namorar depois dos dezoito anos, vê se pode. Mas ele disse que estava disposto a abrir uma exceção se gostasse de Marcos.

         Tudo já estava pronto. Minha mãe havia cozinhado, a mesa estava arrumada, e minha avó estava junto. Ela não perderia essa por nada. É uma romântica. Eu tenho de onde puxar.              

         - Ele é um encanto! - minha avó disse para meus pais. Sem dúvida ele é um 'encanto'. Vovó e seus elogios ultrapassados.

         Eu ri.

         - Eu ainda acho muito injusto você tê-lo conhecido e eu não. - minha mãe reclamou, dirigindo-se à minha avó.

         - Eu já expliquei. - disse pela milésima vez. - Ele veio aqui fazer um trabalho há muito tempo atrás, e a vovó estava em casa. - e quando acabei essa frase a campainha tocou.

         Me levantei em um salto e fui abrir a porta.

         - Boa noite. - Marcos disse quando eu abri a porta. Ele usava jeans e uma camisa social. Cheiroso como sempre. Segurava um buquê de flores na mão direita.

         Eu olhei aquilo e meu coração disparou. Não consegui identificar as flores, nunca fui boa nisso, mas elas eram lindas. São para a minha mãe, pensei. Certo que as flores eram para a minha mãe. Ele não ia me dar flores, ia?

         - Eu trouxe para você. - ele disse então, para minha completa surpresa. Nada com o que eu não esteja acostumada.

         - Obrigada. - falei admirada e peguei o buquê de flores.

         Então nós entramos e eu fechei a porta. Meus pais se levantaram quando chegamos à sala, e eu os apresentei.

         Eles se deram bem, no final. Meu pai pareceu gostar muito dele, e minha mãe já estava no papo. Minha avó já estava conquistada. Era difícil não gostar de Marcos. Ele era tão educado, gentil, e lindo. E sexy, claro. Muito sexy.

         Depois do jantar eu fui lavar os pratos - não que eu goste, eu só queria ficar um pouco sozinha com ele, longe dos meus pais - e ele, como eu esperava, veio atrás de mim carregando os copos, apesar de eu ouvir minha mãe insistindo que não precisava. Mas Marcos consegue ser muito persuasivo quando quer. Você sabe...

         Larguei os pratos na pia e me virei para olhá-lo.

         - Eles gostaram de você. - afirmei ao olhar cauteloso dele.

         - Mesmo? - perguntou sorrindo pelo canto dos lábios e largou os copos na pia, se aproximando de mim.      

         - Com certeza. Minha mãe só faltava babar nos seus pés. - eu disse e nós rimos.

         Então eu me virei e liguei a torneira a fim de começar a lavar a louça. Pela visão periférica via Marcos me olhar, bem ao meu lado.

         Eu ensaboava um copo quando ele se aproximou para me beijar. Sem conseqüência real dos meus atos, eu larguei o copo na pia e só consegui dar um selinho nele antes de pular para trás com o barulho do vidro se quebrando. Marcos riu. Ele com certeza devia me achar a palhaça do século.

         - Cada dia menos azarada. - eu disse analisando o copo rachado nas minhas mãos.

         - Hã? - perguntou com as sobrancelhas erguidas de um jeito muito sexy lindo.

         - Eu, geralmente, quebro eles. - respondi a ele mostrando o copo.

         - Isso não é azar. - disse ele sorrindo e me puxando pela cintura. - Você é apenas desastrada. - terminou com calma, como se estivesse falando com um bebê.

         Eu, particularmente, não gostei dessa parte.

         - Azarada. - afirmei mordendo o lábio inferior e colocando os braços em volta do seu pescoço.

         - Desastrada. - discordou.

         - Azarada. - repeti, no que ele fez uma careta. - Ah, vamos lá! Agora que eu admiti que sou azarada ninguém concorda comigo! - reclamei fazendo beicinho.

         - Ok, ok. Então você é a azarada e eu sou o sortudo. - disse, um sorriso brincando nos seus lábios.

         Não respondi, apenas franzi o cenho à menção da palavra 'sortudo'.

         - A sorte não entra aí, não é? - adivinhou.

         - De jeito nenhum.  - respondi balançando a cabeça.

         - Ótimo. - Marcos disse sorrindo e se aproximando para me beijar.

         - Ótimo. - concordei antes que seus lábios tocassem os meus.

         Como em toda vez que ele me beijava, as borboletas no meu estômago rolavam em uma sensação confortável.

         E vivemos felizes para sempre.

         Ok, nem tanto. Esse negócio de sorte e azar é muito relativo.

 

-'cabô! :x muito obrigada meninas, por todo apoio! de coraçaaaaaaão. cara, não sei nem o quê falar, vcs foram demais! Pura Sorte não existiria sem vocês *-* essa acabou, mas vão ter outras, e eu espero vocês, ok?
FELIZ ANO NOVO, e até 2009 :)

beeeeeijos e muito obrigada!
amo vocês
chicas.

xoxo ;*

Postado por Daay D. às 16h38
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obs: penúltimo capítulo. me deixem orgulhosa e comentem bastante :D visitemo o blog: www.queroserescritora.zip.net ! postei uma fic de Crepúsculo! acho que vcs vão gostar :D
beijos chicas :*

      Capítulo 11         

         Eu desci as escadas de pantufa e de pijama, com o cabelo desarrumado e cara de braba. Abri a porta e ali estava aquela figura perfeita do Malkin. Sempre tão lindo.

         Eu botei as mãos na cintura e fiquei olhando para ele. Eu não ia falar nada. Ele que veio bater na minha porta. Ele que fale.

         - Posso entrar? - ele perguntou com as mãos nos bolsos e uma aparência cansada, mas não menos linda.

         Eu, ainda com cara amarrada, deixei a passagem livre, sem falar nada, e ele entrou.

         Ainda bem que meus pais não estavam em casa.

         Fomos para a sala e eu sentei na poltrona. Marcos se sentou no sofá, de frente pra mim.

         - Olha só, Clara... - ele começou, e eu estava escutando. Decidi ser madura em relação a isso. Eu não ia gritar, nem fazer escândalo. Eu ia ouvir e botar ele para fora. Já estava decidido. - O que aconteceu entre mim e a Tess foi um grande erro... - ele viu que minha expressão não mudou, botou o rosto nas mãos. Me deu uma pena nessa hora. - Foi só um beijo... Não significou nada...

         - Um beijo sempre significa alguma coisa. - eu disse baixinho, mas sei que ele escutou.

         Marcos me olhou atentamente. Aqueles olhos verdes estavam pedindo o meu perdão, e foi por um triz que eu não corri até ele e o beijei. O seu perfume já tinha se expandido pela sala inteira. Era como se ele tivesse apelando para o desejo.

         - Desculpa! Desculpa, Maria Clara. Eu nem sei o que eu estava pensando...

         - Quando foi? - perguntei. Não podia deixar de perguntar.

         - Um dia depois do ensaio. Ela e eu ficamos ali conversando, e quando eu vi, ela veio para cima de mim. - ele sacudiu a cabeça. - Eu sei que a culpa também é minha, mas...

         Nessa hora eu ouvi meus pais conversando e a porta da frente se abrindo.

         - Ah, não! - reclamei. Meus pais não podiam me ver sozinha em casa com Marcos. Mesmo que à metros de distancia.

         - O que? - ele perguntou, confuso.

         Eu levantei e o puxei pelo braço em direção à cozinha.

         - Você tem que ir. - disse eu, abrindo a porta dos fundos.

         - Clara? Voltamos. - minha mãe anunciou lá da sala.

         - Por quê? - perguntou ele.

         - Só vai! - eu disse e o empurrei para fora.

         Um instante depois minha mãe adentrou a cozinha.

         - Que está fazendo aí? - perguntou ela.

         - Nada, mãe! - falei rapidamente. - Mas por que já voltaram? - perguntei e fomos saindo da cozinha.

         - Ah, você sabe. Seu pai está cada vez mais preguiçoso. Caminhamos um pouquinho e ele já cansou... - ela foi tagarelando enquanto eu checava para ter certeza que ele fora embora

         No domingo ele não apareceu e nem ligou.

         Na segunda-feira nos encontramos na entrada do colégio. Infelizmente chegamos na mesma hora.

         - Nós temos que conversar. - ele disse assim que me viu.

         - Eu acho que não temos nada para conversar. - eu disse. E realmente eu não tinha nada para falar. E não sei se estava pronta para perdoá-lo. Até porque, eu nem sei bem o que aconteceu. Talvez não tenha sido só um beijo, talvez tenha tido mais beijos. Talvez Marcos nunca tenha realmente gostado de mim. Talvez eu seja uma idiota, mesmo.

         - Eu preciso te explicar o que aconteceu. - ele disse de frente para mim, com aqueles olhos, e aqueles lábios, e aquele perfume inebriante.

         Eu não fiz nada além de concordar com a cabeça. Fomos para a biblioteca, e mesmo eu sendo muito contra, matamos o primeiro período para conversar. Sem dúvida eu estava morta se nos vissem ali. Primeiro agressão à coleguinha, depois pega matando aula na biblioteca. Sem dúvida eu ia ser punida.

         - Explique. - eu disse quando nos sentamos frente a frente em uma das mesas.

         Nem sei porque estava sendo tão boba com aquilo tudo. Fazendo tempestade em copo d'água, como diz a minha avó. Mas é que, sei lá, mesmo que tenha sido só um beijo, eu me sinto traída.

         Preciso de um psicólogo?

         Eu acho que eu preciso de um psicólogo.

         - Ah, quer saber? - eu o interrompi mesmo antes de começar. - Não precisa explicar nada. Você não me deve satisfações nem nada disso. Você tem o direito de fazer o que quiser, quando quiser, afinal, você não é minha propriedade nem nada. E eu entendo que nós só temos quinze anos e que é cedo demais para um relacionamento de longo prazo. Eu não te culpo, sério. É que talvez eu tenha botado todo meu ideal de homem perfeito em você e foi um choque descobrir que você não era perfeito. - quando estou braba falo demais. Falo coisas sem sentido. Falo demais. - Acho melhor continuarmos como se nada tivesse acontecido. Digo, nada. Desde o inicio. Só amigos. - eu levantei abruptamente. - Desculpe.

         E saí correndo da biblioteca, chorando. Por que eu estava chorando? Como eu sou idiota. É que, aceitando ou não, eu estava gostando muito dele. Gostando demais dele.

         Naquela mesma tarde Marcos apareceu lá em casa de novo. Eu achei que já tinha ficado claro o meu ponto de vista. Eu não queria que ele se explicasse, não queria falar no assunto, mas parece que ele ainda não captou.

         - O que você quer? - perguntei ríspida.

         - Belas pantufas. - ele disse sorrindo como eu não o via sorrir a algum tempo.  - Eu pensei no que você disse hoje de manhã.

         - Pensou, é?

         Nós sentamos no sofá da sala. Minha avó estava na cozinha, e eu tinha certeza que ela podia ouvir tudo que falávamos.

         - Cheguei a uma conclusão. - ele disse, me olhando.

         Meu coração acelerou como na primeira vez que ele me beijou. Eu não via outra saída a não ser escutar o que ele tinha para dizer. E isso estava me deixando nervosa. E se ele concordasse comigo? Digo, se ele concordasse que esse relacionamento não iria para frente? Eu não queria que ele concordasse comigo!

         - Diga. - falei tentando não tremer a voz.

         - Nós passamos ótimos tempos juntos... - eu concordei com a cabeça. - Você é a garota mais engraçada e desastrada que eu já conheci... - eu não pude deixar de sorrir nessa hora. - Eu simplesmente adorei te ter como namorada, e não concordo com você quando disse que eu não te devo satisfações, porque eu te devo sim. Afinal, você ainda é minha namorada. - ele chegou mais perto no sofá. - Não me lembro de termos terminado, e com isso, eu te digo que a oxigenada - ele imitou minha voz perfeitamente - da Tess que me beijou, mas é só você que eu quero. E, aqui entre nós, ela beija muito mal. - ele disse sorrindo e eu ri. A alegria começava a crescer em mim. Meus olhos já estavam cheios d'água.

         - Por que, Marcos? - eu perguntei. - Porque você quer essa garota desastrada e totalmente desprovida de sorte?

         Ele sorriu e limpou uma lágrima que caiu do meu olho.

         - Porque essa garota é a minha desastrada e desprovida de sorte. Porque desde o primeiro momento eu soube que era você a tal. E acredite ou não, os homens também querem encontrar a companheira ideal. - ele disse de uma forma carinhosa.

         Eu não conseguia acreditar que isso estava acontecendo. Quero dizer, garotos de quinze anos não pensam só naquilo?

         Acho que não.

         O problema é que nós, meninas, rotulamos todos os tipos de garotos, e não dá para ser assim. Cada um é cada um. Alguns mais maduros, outros mais infantis.

         - Maria Clara? - ele me tirou dos meus pensamentos. Eu acho que era a hora de eu falar.

         Ou beijar. Acho que beijar é melhor. Então eu me aproximei e o beijei. Foi o melhor beijo. Agora eu acredito que os beijos de reconciliações são os melhores.

         - Você está totalmente certo. - eu disse quando nos separamos. - Um simples beijo não vai nos separar. Ainda mais um beijo ruim. - eu disse e nós rimos.

         Eu ouvi minha avó fungando na cozinha. Sem dúvida ela estava ouvindo tudinho.

         - É sua avó? - ele me perguntou baixinho. Eu sorri e concordei com a cabeça. - Pelo menos ela já gosta de mim.

         - Ei! Não seja convencido. Quem disse que ela gosta de você?

         - Eu gosto! - ouvi minha avó berrar lá da cozinha. Eu tapei o rosto com as mãos e Marcos caiu na gargalhada.

         - Agora você só precisa conquistar os meus pais. - disse eu, sorrindo e dando mais um beijo nele.

         - Isso vai ser fácil. - ele deu aquela piscadela marota e beijou de novo.

Postado por Daay D. às 18h37
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  desculpem a demora! estava viajando :x FELIIIZ NATAL, GENTE :D beijos ;* 

  Capítulo 10

         O primeiro trimestre passou rapidamente e eu estava cada dia mais apaixonada por Marcos. E cada vez estudando menos. Mas não que isso importe. As minhas notas até que estavam razoáveis.

         Eu já estava ciente de que amava ele - meu primeiro amor, gente - mas ainda não havíamos pronunciado a palavra com 'a'. É claro que eu queria falar, mas meu medo de que ele não falasse de volta não deixava. Então eu sempre ficava de boca fechada. Estávamos há quase três meses juntos e os ensaios para a peça Romeu e Julieta estavam cada vez melhores. Teresa, aparentemente, não tinha feito nada contra mim e Marcos, como tinha ameaçado, mas ela ainda me olhava ameaçadoramente. Ciúmes, eu pensava, e Elisa estava de acordo comigo. Até um dia, no ensaio da sexta-feira, a última sexta do trimestre, quando ela ficou me encarando o tempo todo. Ela sorria como se estivesse achando muita graça de alguma coisa. Eu não me preocupei, a princípio. Piada interna, pensei. Mas quando Marcos começou a olhar para ela também, e a tropeçar nas palavras eu quase pirei. Estava certa que tinha alguma coisa ali. Puxei Lisa para o banheiro e disse tudo que estava acontecendo.

         - Nada está acontecendo, Clara! - ela disse, rindo de mim. Ah, sim. Sou a piada do século. - Ela só quer fazer você pensar que está acontecendo algo.

         - Mas faz três meses! - reclamei. - E ela deixou bem claro que ia fazer alguma coisa!

         Lisa suspirou e botou as mãos nos meus ombros.

         - Ela só está com inveja de você. E você não devia se preocupar com isso. Toda garota de quinze anos deve ter inveja de você, Clara. Até eu. - ela disse.

         Eu fiquei confusa.

         - Por quê?

         - Ora, Clara! Você tem um namorado que toda garota de quinze anos sonha em ter! Ele é lindo e realmente gosta de você. - disse. - Ele é mais maduro do que esses outros caras. Sério. Os caras dessa idade só costumam pensar naquilo.

         - Quem te disse que ele não pensa? - eu disse rindo e Lisa levantou uma sobrancelha.

         - Olha lá hein, guria! Não quero ser madrinha de criança tão cedo. - ela disse séria, mas eu sabia que estava brincando.

         Eu esqueci esse assunto com o passar do tempo. Mas Teresa não parava de me dar indiretas e olhar para Marcos. Isso estava me irritando, e a qualquer momento eu explodiria. Ou Marcos me explicava direitinho o que estava acontecendo ou eu pulava naquela piranha e... Bom, não existiria mais piranha nenhuma. Nem umazinha.

         E aquela tarde foi a gota d'água. Estávamos na aula de educação física, jogando vôlei, quando Teresa mandou uma bola direto na parte detrás da minha cabeça. E ela era do meu time.

         - Qual é o seu problema? - eu gritei para ela. Não estava nos meus melhores dias. Contando que a TPM não ajudava. Simplificando, eu estava irritadíssima e estava precisando botar para fora. No sentido figurado.

         Eu peguei a bola nas mãos, encarei Teresa e todos ficaram em silêncio, esperando o barraco.

         - Oh, desculpe, Clarinha. - ela disse com um ar de 'foi sem querer querendo'. Óbvio que foi de propósito. Eu nem tinha dúvidas. - Pensei que você já estava acostumada com esse peso na sua cabeça. - de cara eu não entendi, mas depois eu vi que ela estava me chamando de chifruda. O que quer dizer que Marcos, o meu namorado, estava me traindo. Com ela. Com aquela piranha oxigenada! E tudo estava muito claro. De repente todas as indiretas e os olhares faziam sentido.

         Ele estava no outro lado da rede, e eu desviei meus olhos um instante para ver sua expressão. Ele estava em silêncio, como todos os outros, olhando para mim. Os olhos alarmados e preocupados, sem brilho. Não restava dúvida. Ele e Teresa estavam tendo alguma coisa, claramente.

         Minha expressão deve ter mudado muito quando eu voltei a olhar para Teresa, pois Elisa veio correndo para o meu lado e me segurou pelo braço esquerdo.

         - Você não precisa fazer isto. Você é melhor que eles. - ótimo. Então ela também já tinha entendido. Todo mundo já tinha entendido. Menos eu. A pateta que pensou que já tinha achado o amor da sua vida.

         De certa forma, até que Lisa estava certa. Eu sou melhor que eles, mas não podia deixar assim. Então eu me soltei de Elisa, dei dois passos na direção de Teresa - que sorria debilmente -, joguei a bola pra cima e bati com toda a minha força. A bola voou direto no alvo. Teresa cambaleou para trás e caiu de bunda no chão, assustada pela bolada no rosto, que ficou vermelho, a propósito. Pelo menos ela ia se lembrar de mim quando se olhasse no espelho.

         O barraco já fora longe o suficiente quando a professora interrompeu e me mandou à diretoria, levando Teresa para se sentar. Logo o bando de amiguinhas dela estavam ao seu redor, e não restou ninguém na quadra, a não ser eu, Marcos e Elisa, que estava ao meu lado. Eu não olhei para ele quando passei, mas pela visão periférica eu o via olhando para mim. Elisa tentou me acompanhar, mas eu disse que estava bem, e segui caminhando de cabeça baixa até a diretoria.

         Não demorou para as lágrimas chegarem, e antes de entrar na sala da diretora eu corri para o banheiro e me tranquei lá. Não saí até ter certeza de que não choraria de novo. Fiquei, pelo menos, uma hora lá, chorando e chorando. Por fim, saí e fui direto para casa, a pé. Só descobririam que eu não fui à diretoria na segunda-feira, mas eu não estava preocupada com isso. Cheguei em casa quase quatro horas da tarde. Fui tomar banho e depois deitei na cama com o Puffy e chorei mais um pouco.

         Eu não sabia o que tinha acontecido entre os dois, mas ficou claro que algo aconteceu. E o pior é que ele nem ao menos tentou falar comigo! Nem veio se explicar. Eu estava puta da vida. Muito puta mesmo.

         Foi no outro dia de tarde que Elisa me ligou.

         - Ele falou comigo. Disse que queria te dar um tempo. - ela disse. - E me contou toda a história. Disse que foi só um beijo e que foi ela quem beijou ele.

         - Acho que não existe beijo só com uma pessoa. - disse eu, sarcástica.

         - É verdade, mas Clara, vamos lá! Ele te adora! Foi só um escorregão, ele é homem, poxa.

         - Agora você vai defendê-lo, Lisa? - perguntei, incrédula.

         - Não estou defendendo ninguém! Só estou vendo os dois lados. E você sabe como é a Teresa. Garanto que foi ela que o beijou, mesmo.

         - Suponhamos que fosse, - disse. - ele teve que dar a oportunidade para que isso acontecesse...

         - Ele errou, Clara! Todo mundo era, ok? Vê se põe isso na sua cabecinha. - ela disse bem grossa, se você quer saber.

         - Ok, ok! Mas eu já deveria saber...

         - Deveria?

         - É essa grande sorte que eu tenho. - falei irônica. - Viu como ela é GRANDE?

         Lisa riu do outro lado da linha.

         - Você e sua má sorte, né?

         - É. Eu e ela. Inseparáveis. - disse eu brincando e rindo também. Já estava acostumada às armações da minha má sorte. Falta de sorte. Azar. Ah, tanto faz. Só que, sei lá. Eu pensei que dessa vez eu estava ficando mais sortuda, com o Marcos e tudo o mais.

         Fui iludida, novamente.

         Nesse sábado eu aproveitei para botar a matéria de física em dia. Estava no meio de um problema quando meu celular tocou pela segunda vez naquela tarde. A fim de não me perder na física eu nem peguei o celular. Não queria falar com ninguém mesmo. Já tinha falado tudo que queria falar com Elisa. Logo meu celular parou de tocar e o telefone de casa começou. Eu não atendi, mas minha mãe atendeu lá em baixo.

         - Clara! Telefone para você! - ela gritou lá de baixo.

         - Diz que eu 'tô no banho! Não quero falar com ninguém. - gritei de volta.

         - Pode ser importante! - disse ela.

         - Não é! - afirmei e voltei à física.

         Uma meia hora mais tarde, depois de meus pais saírem para caminhar no calçadão - estava um lindo dia de sol - a campainha tocou. Eu bufei de raiva. Será que não podiam me deixar em paz?

Postado por Daay D. às 20h35
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Capítulo 9

- Teresa? - eu perguntei, e automaticamente minhas sobrancelhas subiram.

- Tess. - ela corrigiu rapidamente. Eu devia ser a única pessoa ainda viva que a chamava de Teresa. Ela claramente odiava o nome. - Eu estava por aí, e resolvi te fazer uma visitinha. - ela disse, entrando na casa, passando por mim e por Lisa, estupefata no meu lado.

Ela caminhou até a sala, e eu e Lisa ficamos para trás. Ela me lançou um olhar de interrogação.

- O que você quer que eu faça? - perguntei baixinho, então fomos à sala, onde ela estava de pé de um lado para o outro olhando tudo à volta.

- Fiquei sabendo que está saindo com o Marcos, Clara. - ela disse com aquela vozinha que me irrita tanto.

- É, estou. - disse, curta e grossa. Porque fingir que nos damos bem? Eu não sou como ela.

- Ele é bem bonito... - disse, agora me encarando.

- Obrigada.

- Nossa. Já agradecendo por ele. As coisas estão firmes, não estão? - perguntou, então, com aquele olhar irônico.

- E o que interessa a você? - argumentei, cruzando os braços e perdendo a paciência.

- Eu estava é interessada nele. - respondeu calmamente. Eu não pulei na garganta dela porque Lisa segurou meu braço. - Um pouco de concorrência pode ser bom, não acha? - ela veio pra mais perto de mim. Meus olhos não saiam dos dela, azul escuro, por causa das lentes de contato.

- Vá em frente. - Elisa disse, dando um passo à frente. - Ele ama ela.

Eu me encorajei com essa afirmação. É claro que ele nunca tinha dito que me amava, e nem vice-versa, e eu nem estava preocupada com isso, pois nos conhecíamos a apenas uma semana. Era cedo demais para mencionar a palavra com 'a' - apesar de eu ter certeza que já estava amando ele há muito tempo.

Os olhos de Teresa se desviaram para Elisa.

- Se você tem tanta certeza, não faz mal testar esse amor, não é? - então ela sorriu e caminhou até a porta.

- Vá em frente. - eu disse. - Marcos não gosta de oxigenadas. - terminei e ri.

Pude ouvir ela bufar da porta da frente e em seguida o estrondo da porta.

Eu e Lisa caímos na gargalhada - e no sofá.

- Ela parecia bem convencida.  - eu disse depois de pensar um pouco.

- Ela não é nada comparada a você. Nem esquenta. - Lisa disse.

- Espero que não seja só você que pense assim. - refleti e depois tentei tirar aqueles pensamentos da minha cabeça.

- Ela com certeza é pintada. - Lisa disse depois de algum tempo  e nós duas caímos na gargalhada, de novo.

 

O jantar com meus pais naquela noite foi realmente irritante. Eu estava preocupada demais para comer, ansiosa demais para ouvir o que meus pais falavam, e nervosa demais com qualquer coisa que Teresa podia estar tramando para tirar Marcos de mim. Eu realmente não sei se agüentaria ver ele e ela juntos se agarrando no meio das aulas até o final do ano.

Essa imagem adentrou meus pensamentos e eu fiquei mais inquieta ainda. Era nojento.

Tudo que vem de Teresa é nojento. Sem duvida.

- Como foi o ensaio da peça? - minha mãe perguntou, me tirando dos pensamentos.

- Hum... Ótimo. - falei, mordiscando um pão.

- E o que fez o resto da tarde? - meu pai perguntou depois de tomar um longo gole de café.

- Fiquei aqui em casa com a Lisa. - a maior parte era verdade. eu só ocultei o pequeno fato de uma visita indesejada.

Eu odiava mentir para meus pais. Eles sempre descobriam.

- Ah, amanhã depois da aula eu vou ao shopping com a Lisa. Ela precisa de um vestido novo... - mudei de assunto rapidamente.

- Hum... - disseram os dois.

- Tudo bem. - disse minha mãe. - Mas volte para o jantar.

- Claro. - eu sorri e depois me levantei levando o meu prato para a pia.

Não foi nenhuma surpresa eu quebrar um copo enquanto lavava a louça.

- Ah, Clara! - minha mãe arfou vindo da sala. - Mais um? - perguntou. Eu dei o meu sorriso inocente. - Eu já te pedi para ficar longe da cozinha e de tudo que possa ser quebrável.

- Ok, erro meu. - dei um meio sorriso, desliguei a água da pia e sai da cozinha antes que ela desistisse e me chamasse para secar a louça - mesmo estando em risco de quebrar algo.

Fui dormir cedo. Eu estava cansada. Acordar cedo já estava me matando.

 

Eu acordei as sete, com o despertador tocando. Cambaleando, fui até o banheiro, lavei o rosto e fui abrir a janela do quarto para ver como estava o tempo.

O sol estava atrás das nuvens, e um vento gelado me lembrou de que o inverno estava a caminho. Desanimada, fui escolher uma roupa decente para aparecer no colégio, e depois ir ao shopping. Não foi difícil optar pela calça jeans, uma blusa bonitinha e um casaco para as primeiras horas da manhã.

Foi incrível eu ter ficado cinco horas na mesma sala de Teresa sem sair por aí puxando o cabelo oxigenado dela. Terça-feira não é dia de ensaio, então aproveitei para ficar o mais distante possível de Teresa naquele dia.

Marcos sentou-se ao meu lado em todas as aulas. Ele não parecia preocupado com os olhares suspeitos de muitas pessoas na sala. Nós não nos beijamos nas aulas, - por respeito aos coleguinhas e aos professores, e porque se ele me beijasse ali, não sei se eu conseguiria parar - mas no recreio ele recompensou o tempo perdido.

- Eu mal podia esperar para ficar sozinho com você. - disse ele em meio aos beijos apressados e exagerados no meio de duas prateleiras de livros da biblioteca.

- Eu também. - respondi baixinho. Se a bibliotecária nos pegasse ia ser horrível, mas... Quem se importa?

- Que tal eu aparecer na sua casa hoje à tarde? - perguntou ele, de novo, em meio aos beijos.

Meu coração batia a mil. Embora aqueles lábios quentes me chamassem, eu consegui me afastar para olhá-lo nos olhos.

- Eu... Vou sair com a Lisa depois da aula. - respondi, um tanto confusa ao perceber a decepção nos olhos de Marcos.

- Ah, bom... - ele disse, então seus lábios se curvaram num sorriso. -  Então acho que vamos ter que compensar o resto do dia agora. - terminou, e eu sabia o que ele queria dizer.

Marcos entrelaçou os braços na minha cintura, me puxando pra ele e rapidamente seus lábios já estavam colados nos meus. E aí eu já havia me esquecido de perguntar qual era o problema. Porque eu sabia que tinha algum.

Depois de vários beijos eu tentei parar e conversar novamente, mas ele não permitiu. Me prendeu na parede e eu pude sentir o calor do seu corpo colado no meu enquanto nós nos beijávamos. Era impossível pensar em alguma coisa racional enquanto ele me beijava daquele jeito, então eu resolvi esquecer e beijá-lo de volta. Meu coração inflamou no peito quando o sinal tocou e ele rapidamente me soltou.

- Só mais um. - eu pedi sorrindo, arfando, mas puxei ele para o último beijo. Era um beijo urgente, como se nunca mais fossemos nos ver. Isso me deixou inquieta, mas eu relaxei quando ele se separou de mim, sorrindo - o sorriso mais lindo do mundo - e me puxou para voltarmos à sala.

- Assim você vai acabar me matando. - disse ele enquanto subíamos as escadas que davam à sala. Estávamos de mãos dadas, isso chamou atenção de muita gente, mas principalmente dos olhos cor de caramelo de Teresa. Me surpreendi vendo que ela não estava usando lentes. Quando passamos por ela, dei uma piscadela e um sorriso. Ela virou a cara, e eu sorri triunfante.

- Olha quem fala. - respondi a Marcos. - Você é que me faz passar para o lado negro. - disse, brincando.

- O lado negro sou eu? - perguntou, incrédulo. - Acho que você devia se olhar no espelho, Maria Clara. É você que sempre me seduz. - disse ele, e eu não pude evitar rir e me inclinar para lhe dar um selinho.

Postado por Daay D. às 21h07
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Capítulo 8

Eu dei um pulo de susto e Marcos riu. Eu tinha que correr e chegar no anfiteatro, onde teria o ensaio da peça, mas eu não queria ir. Eu o beijei de novo.

- Você não tem que ir? - perguntou, parando o beijo, sorrindo e me puxando pelo braço delicadamente em direção à porta.

- Eu não quero ir. - resmunguei dobrando os braços na minha barriga.

- Mas você tem que ir. - ele disse passando o braço pela minha cintura e continuamos a andar pelo pátio, agora desabitado. - Vamos, eu te levo. - então ele apressou o passo e eu tive que me esforçar para manter o ritmo sem dar de cara no chão.

Não foi fácil, mas eu consegui. Chegamos ao anfiteatro e a Sra. Ucker já estava lá com a maioria do "elenco" da peça. A Sra. Ucker é a professora que sempre costuma dirigir as peças do colégio e é uma mulher de meia idade, baixinha e barriguda. Ela usa uns óculos de fundo-de-garrafa e não parece se importar quando todos riem quando eles ficam embaçados e ela finge continuar enxergando. Nada muito fora do normal.

O que me surpreendeu foi quando Malkin entrou comigo no anfiteatro e a Sra. Ucker deu um lindo sorriso - aquele que ela só dá quando o teatro já está completamente pronto.

- Aí está nosso casal apaixonado! - ela disse com sua vozinha falhada.

- Quem? - perguntei, assustada.

Olhei para Marcos, que continuava me levando ao palco com a mão na minha cintura. Ele não me olhou, mas eu sei que estava rindo por dentro. Eu não entendi, mas continuei caminhando com ele por todas as filas de cadeiras até chegarmos ao palco onde todos estavam.

Elisa, parada em um canto do palco, me olhava pedindo uma explicação, enquanto os outros sorriam que nem uns retardados. Reconheci a maioria dos atores por eles sempre encenarem as peças comigo.

- Vocês dois. - a professora continuou. - O casal apaixonado. Romeu e Julieta! - disse quase pulando de alegria.

Aí a ficha caiu.

- Você vai fazer o Romeu? - me afastei para olhar nos olhos dele.

- Você não gostou? - perguntou, espantado.

Mas vê se pode! Eu é que devia estar espantada. E eu estava, na verdade, mas por que ele não tinha me dito? Ia poupar muitas preocupações. E criar outras...

- Não, não. Eu gostei. - eu disse, abrindo um sorriso, apesar de estar confusa por dentro.

Marcos sorriu, e meu coração acelerou.

- Você não sabia? - a Sra. Ucker se meteu no nosso meio e me perguntou, confusa. - Esse jovem rapaz veio aqui ontem para fazer o teste. - ela disse botando a mão pequena no ombro de Marcos. Ele é, no mínimo, duas cabeças mais alto. - Ele é ótimo. - concluiu, então, no meu ouvido.

Eu abafei o riso.

Então esse era o motivo dele não ter ido me visitar na véspera. Ele fora fazer o teste para o papel. Muito conveniente.

- Eu sei. - respondi, e então a Sra. Ucker começou a nos organizar e a falar com Elisa sobre como iria ser o cenário. Eu sabia que ela ia querer uma explicação mais tarde. Ou talvez, uma boa história. Elisa é fascinada em romances - não que a minha vida seja um romance - e eu não ia escapar depois da peça, dava para ver nos olhos dela. Eles relampejavam cada vez que ela me via sorrindo para Marcos.

Nós ensaiamos durante os últimos três períodos de aula. Foi cansativo, mas por outro lado é sempre bom ter que matar aula de matemática de vez em quando. Ainda mais quando você está com Marcos. Eu já mencionei que ele é extremamente agradável e engraçado? Interpretando o Romeu então... Eu não parava de rir. A Sra. Ucker até recomendou que eu fosse tomar um pouco  de água para me acalmar. Só por fora, pois por dentro, meu coração batia a mil. Com certeza todos do teatro já deviam ter sacado que eu e Marcos estávamos juntos, como Elisa. E quem não tirava os olhos de Marcos era Teresa, mais conhecida como Tess, a chatinha da minha aula. Ela nunca gostou de mim, e vice-versa. Ela é metida a supermodelo e se acha melhor que todo mundo. Não dá pra conviver com alguém assim. O que me surpreendeu foi ela ter aparecido para o ensaio. Eu não sabia que ela estaria no elenco, e isso foi uma grande surpresa. Tess nunca compareceu às apresentações no final do ano e nunca pareceu se interessar em teatro. Algo me dizia que não era realmente pelo teatro que ela estava ali.

Minha teoria se comprovou quando ela parou Marcos na porta do anfiteatro depois que o sinal tocou para o final das aulas.

Eu estava longe, mas consegui ouvir a vozinha fina e irritante dela.

- Oi Marcos! - ela sorriu mostrando os dentes branquinhos. - Ótimo trabalho!

- Obrigado, Tess. - ele sorriu de volta, mexendo o roteiro nas mãos.

Tess. Tess. TESS?

- É claro que a Clara - ela falou meu nome um pouco alto demais e com desprezo na voz. Era pra eu ouvir. - te atrapalhou com aquele senso de humor enorme dela, - ela deu um risinho. - mas você é um ótimo Romeu. - então ela deu tapinhas nas costas dele e se inclinou para beijá-lo no rosto.

Preciso dizer que eu estava a ponto de pular nela? Acho que não.

Eu fiquei vermelha e trinquei os dentes. Elisa, percebendo minha súbita mudança de humor, me puxou dali correndo. Eu a agradeci depois.

- Eu juro que eu podia dar um tiro nela e ninguém ia perceber. - eu estava furiosa. Quando fico furiosa eu falo demais. - Quero dizer, ela nem é tão bonita, e ela é super fresca. E, meu Deus, você já viu o cabelo dela? É totalmente oxigenado, mas ela vai morrer sem admitir. Afinal, o que ela quer com o Marcos? Será que não ficou claro que ele estava comigo? Ah, quando eu pegar aquela piranha maldita ela vai sofrer. - falo demais. Falo coisas sem nenhum sentido.

- Ok, amiga. Respira. - Elisa me disse me empurrando o copo d'água.

Depois de um gole e uma respiração profunda eu continuei.

- E você viu como ele estava com ela? Da onde veio aquela intimidade? Eu perdi alguma coisa? - eu desabei na cama.

- Ele não estava todo assim com ela. Você só pode estar brincando, Clara. O cara ta caidinho por ti, e você fica aí cheia do ciúme. Será que não da pra relaxar? - ela perguntou e pegou o copo das minhas mãos.

- Mas ela beijou ele! - eu disse, voltando a ficar sentada na cama.

- Francamente, amiga, você tem transtorno obsessivo compulsivo?

- Quê? - eu realmente não entendi.

- Nada, esquece. Olha só, você não precisa se preocupar,ok? Ele está com você, não está?

- Acho que sim...

- Então pronto. Vê se larga de ser ciumenta. - Elisa disse, e eu realmente fiquei melhor. Era mesmo tudo bobagem. Como eu sou estúpida.

- AAAH! - gritei voltando a desabar na cama, botando o travesseiro na cara.

- Que foi agora? - Elisa perguntou na voz que me dizia que ela estava revirando os olhos.

- Eu sou tão criança! - respondi ainda com o travesseiro na cara.

- É mesmo. - concordou.

- Não era pra concordar! - disse me sentindo pior.

- Mas me conta uma coisa... A Teresa pinta o cabelo, mesmo? - perguntou depois de algum tempo.

Eu tirei o travesseiro da cara e me sentei ao lado dela, incrédula.

- Você acha que não? - perguntei olhando para frente. Enxergando o nada.

- Não sei...

- Ela tem que pintar. Impossível não ser pintado. Você já viu aquela cor antes?

- Não. Mas porque ela tem que pintar? - perguntou ela, me encarando.

- Porque sim! Tudo nela é falso, das unhas até a cor dos olhos! É claro que ela pinta o cabelo também. - concluí.

- E qual é a importância disso, afinal? - ela me pegou. Eu não queria falar...

- Ela é mais loira que eu... - murmurei.

- E...?

- Marcos gosta de loiras... - falei mais baixinho ainda.

Eu estava certa que Lisa ia me bater. De brincadeira, mas ia.

- Você está tão chata... - ela disse finalmente, rindo alto. - E apaixonada... - concluiu e pulou em cima de mim, me fazendo cócegas.

Foi a campainha que me salvou de morrer sem fôlego.

- Eu... Tenho... Que... Abrir... Porta. - disse, respirando, finalmente.

- Quem você está esperando? - ela me perguntou, enquanto descíamos as escadas, de sobrancelhas erguidas.

- Sinceramente... Ninguém. - respondi. Era segunda-feira de tarde, quem faria uma visita sem aviso? E meus pais nem estariam em casa...

Meus pensamentos voaram até uma pessoa, e meu coração acelerou.

A campainha soou mais uma vez e eu corri para a porta antes de Lisa.

- Quem é? - ela perguntou quando chegou ao meu lado.

A porta aberta mostrava a figura alta, magra - até demais - e loira de Teresa. Ela estava radiante sob a luz do sol e com as enormes argolas de ouro penduradas nas orelhas.

Postado por Daay D. às 18h36
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 Capítulo 7 

Na segunda-feira de manhã eu estava nervosa em encontrar Marcos na aula. Desde sábado nós não tínhamos nos falado, e isso me deixou furiosa, por que,

a) o cara me beija;
b) o cara diz que eu sou única;
c) e o mais importante, ele disse que eu sou sexy,

e não me liga no dia seguinte! Ok, ok. Talvez eu esteja exagerando, porque, provavelmente, ele não tem meu telefone. Só pode ser isso.

Naquele sábado nós tínhamos passado a tarde juntos no calçadão, com direito a algodão-doce. Foi melhor que um sonho.

Ah, sim. Eu já estava perdida e inegavelmente apaixonada por Marcos Malkin. O meu MM's.

Mas eu tinha coisas mais importantes com o quê me preocupar aquele dia. O ensaio da peça começaria e eu mal tinha decorado as falas complicadas da Julieta. E, claro, não sabia quem seria o Romeu. Isso, na verdade, era o que mais estava me preocupando, porque eu teria que beijar ele.

- Que peça vão fazer este ano? - minha mãe perguntou no carro, a caminho do colégio, me vendo tentar decorar as falas.

- Romeu e Julieta. - respondi, desanimada.

- Que ótimo! Você vai fazer a Julieta? - perguntou.

- Infelizmente.

- Ah, filha. Por que você não gosta dela? Nunca entendi isso...

- Ela se mata por ele, mãe! - disse, como se fosse óbvio.

- E ele por ela! Não é a coisa mais romântica que você já ouviu? - não, definitivamente, não era.

A coisa mais romântica que eu já ouvira foi:

"Esse seu azar é tão encantador..."

Você já ouviu coisa mais romântica que isso?

Nem eu!

Mas eu não falei nada para minha mãe, e não tinha falado nada a ninguém.

Por mais que eu tentasse pensar que não, não sabia ao certo se aquela relação - se é que havia alguma - progrediria.

Quero dizer, rolaram beijos, abraços e o pôr-do-sol mais lindo que eu já vi, mas eu realmente não conhecia Marcos tão bem quanto queria. Então eu decidi que ia conhecer ele.

Entrei na sala de aula com o coração na boca, eu nem sabia por que estava tão nervosa. Avistei Elisa e fui sentar com ela. Não diga que eu estava fugindo, porque não estava. Só estava tentando evitar constrangimentos maiores.

Elisa começou a falar sobre algum dever de matemática, mas eu não estava escutando, estava olhando atentamente para a porta, esperando certo alguém entrar.

- Quem você está esperando, afinal? - ela me perguntou, braba por não estar dando a mínima à conversa.

- Eu? Ninguém. - desviei rapidamente o olhar da porta e me virei para ela. - Como vai, Lisa? - perguntei amigavelmente, com meu sorriso meigo e ela cerrou os olhos.

- O quê você não me contou? - perguntou e nesse exato momento Malkin passou pela porta.

- Nada. - falei, na defensiva, tentando fingir que não o vi chegar.

Para meu total constrangimento Marcos se sentou atrás de mim e de Elisa.

- Bom dia. - falou ele, sorrindo, e eu automaticamente fiquei escarlate.

- Bom dia. - eu e Elisa respondemos em coro.

Eu virei a cabeça para frente e Elisa não deixou de notar.

- Perdi alguma coisa? - cochichou baixinho.

- Não. - cochichei de volta. - Você não vai participar da peça? - perguntei, tentando mudar de assunto.

- Eu não perderia essa por nada. - respondeu, parecendo empolgada em o assunto ser voltado a ela. - Vou fazer o cenário e o seu guarda-roupa, Julieta.

Eu ri. Elisa sempre conseguia me fazer esquecer as coisas importantes e rir do nada. Foi até bom.

Nos primeiros três períodos da manhã eu tentei ao máximo não ter de ficar sozinha com Marcos, mas no recreio, foi impossível, pois ele me achou.

- Está me evitando? - perguntou quando me encontrou em uma mesa da biblioteca.

Ninguém vai à biblioteca no recreio. Fala sério. Eu pensei que ele não ia me achar lá.

- Não! - neguei rapidamente e parei de fingir ler minhas falas. Ele tinha me surpreendido. Como me achou? - É que...

- Envergonhada? - perguntou, e um sorriso brotou nos seus lábios.

- Estou. - respondi baixando a cabeça e me sentindo a maior boba de todos os tempos.

Marcos ergueu minha cabeça com a mão e olhou nos meus olhos. Sua beleza era quase impossível de se acreditar. Como alguém poderia ser tão bonito? E cheiroso. Hum.

- Não precisa. - disse ele com a voz sedosa. - Desculpe não ter te ligado ontem. Eu fiquei com umas coisas para resolver...

- Tudo bem. - sorri. - Mas... Eu queria saber mais sobre você. - disse.

- Sobre mim? - ergueu as sobrancelhas.

- É, tipo... Por que você se mudou? - perguntei. Eu estava disposta a fazer um interrogatório.

- Por causa do trabalho do meu pai. - respondeu, me olhando atentamente.

- No que ele trabalha?

- É engenheiro mecânico. - respondeu parecendo se divertir com minhas perguntas.

- E sua mãe? - foi aí que ele abriu um sorriso enorme.

- É professora de química. - e aquilo veio com um BANG!

Fiquei de boca aberta e ele estava rindo.

- Quê?

- Eu menti dizendo que não sabia química, para poder me aproximar de você. - você já ouviu alguma coisa mais romântica que essa? Nem eu.

- Ta brincando? - perguntei incrédula. Ele balançou a cabeça negativamente. - Não dá pra acreditar. - eu disse e depois comecei a rir.

Me aproximei e dei um selinho nele.

- Cor?

- Azul. - respondeu me olhando nos olhos. - Você?

- Verde. - respondi sorrindo.

- Ambição? - perguntei.

- Tentar descobrir de onde vem tanta má sorte, assim. - ele disse apontando pra mim e riu da minha careta.

- Que sem graça.  - resmunguei.

- E você, Maria Clara?

- Tentar descobrir por que me chama de Maria Clara. - disse.

- Ah, é um nome bonito, sabe... - ele disse sorrindo. - Vai ser a Julieta? - perguntou apontando o papel com as minhas falas.

- É  a intenção. - respondi, sorrindo pelo canto dos lábios. - Mas como sabia?

- Ouvi por aí... - respondeu olhando o relógio. - Mas qual sua preocupação?

- Não sei quem vai ser meu Romeu. - respondi, meio pra provocar.

- Ah, não tem problema. Eu já sei. - disse ele sorrindo e se aproximou para me beijar.

Novamente, as borboletas acordaram no meu estômago e meu coração parecia correr a maratona. Eu podia ficar o dia inteiro naqueles braços fortes e não me importaria, mas infelizmente, o sinal tocou.

-> comunidade no orkut pra Pura Sorte: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=51971548&refresh=1   eeentra? thanks. beijos ;*

Postado por Daay D. às 16h26
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 Capítulo 6 + Pesquisa!

No sábado de manhã acordei tarde, e fiquei feliz por poder dormir mais do que oito horas.

Acordei com o sol que entrava pela janela - que minha mãe provavelmente tinha aberto - e dei de cara com Puffy, meu gato. Eu já havia dito a vocês que eu tinha um gato, mas não disse os detalhes. Puffy não é muito popular com as pessoas, sabe? Nem com minha mãe, nem meu pai, nem a Elisa. Com ninguém, na verdade. Só comigo.

Porque... Ele é um gato todo preto. E você vai ficar assim: 'Oh! Ela tem um gato preto!' Mas... E daí? Eu não sou supersticiosa. Eu disse, eu nem acredito em sorte, por que eu acreditaria em azar? Não faz sentido...

Os caras da petshop onde comprei o Puffy pareceram realmente felizes por estarem se livrando dele. Pobre Puffy...

E é claro que eu não saí da petshop sem antes dar um belo discurso aos vendedores que sorte e azar são coisas patéticas que não existem.

- Clara! - minha mãe chamou lá de baixo. - Almoço!

Eu desci pesadamente na escada, ainda de pijama. Prendi meu cabelo rapidamente em um rabo-de-cavalo e sentei à mesa.

- Eu e seu pai vamos ter que ir trabalhar hoje, Clara. - disse ela.

- Você? - perguntei, confusa, me servindo de cenoura.

- Ela vai me ajudar no consultório. - meu pai esclareceu.

- Ah, tá.

Geralmente minha mãe não trabalha nos sábados, então achei estranho, mas quando meu pai disse que ela só ia ajudar, entendi. Meu pai, em geral, tem muitos pacientes, trabalhando no seu consultório e no hospital, então, muito trabalho. Eu já estava acostumada a ficar sozinha em casa. As minhas férias todas eu ficava de tarde sozinha.

Já estava terminando de lavar a louça quando meus pais saíram. Eu provavelmente iria procurar alguma coisa na TV, ou iria à locadora.

O dia estava quente com um lindo sol. Eu ia subindo as escadas lentamente para dar comida ao Puffy, quando a campainha tocou. Pensei que seriam meus pais, esquecendo de algo. Costumava acontecer.

Desci as escadas e abri a porta da frente, dando de cara com um ser que, bom... Eu não queria encontrar de pijama, cara amassada e rabinho mal feito.

- Oi. - disse ele, sorrindo.

Eu acho que estava muito chocada para responder.

- Tudo bom? - perguntei tentando não parecer totalmente envergonhada.

- Ótimo. - respondeu ele. - Eu passei aqui... Bom, pra ver se você não queria dar uma volta comigo no calçadão.

Eu estava zonza. Por que o cara novo, lindo de morrer, estava me chamando pra dar uma volta no calçadão?

Mesmo que minha consciência gritasse "Não! Não! Perigo!" eu pedi pra ele entrar e disse que ia me arrumar.

Subi as escadas correndo e entrei desesperada no quarto. Eu tinha que me vestir e arrumar o cabelo. E isso costuma demorar um tempo considerável.

Meu coração pulava muito forte no peito. Deve ter sido por isso que eu esqueci de dar comida ao Puffy.

Só me lembrei disso quando já estava lá em baixo, e tive que voltar correndo ao quarto.

- Aonde você vai? - ele perguntou. Estava de pé, encostado ao pé da escada.

- Esqueci de dar comida ao Puffy. - falei, lá de cima.

- Quem é Puffy? - perguntou, para minha surpresa, ele estava ao meu lado. No meu quarto. Tinha subido as escadas, e agora me olhava dar comida ao meu gato preto.

- Ele é todo preto? - perguntou, com uma sobrancelha erguida.

- É sim. - afirmei, depois de despejar um saquinho de ração para gato na tigela dele.

Eu abri a boca para continuar a falar, alguma coisa sobre eu não acreditar em azar, mas ele foi mais rápido.

- Deixe-me adivinhar. Você não acredita no azar. Porque, como não há sorte, azar também não existe. - disse.

- Sou tão previsível? - perguntei, rindo amarelo.

- Não acho... - disse.

Quem diria que um dia eu, euzinha, estaria com um cara no meu quarto?

- Vamos indo? - cortei o silêncio e cortei a aproximação que estava entre nós. Comecei a descer as escadas e ele vinha atrás.

Fomos caminhando até o calçadão e fiquei surpresa - mais do que o normal - quando vi Marcos indo até um jet-ski, parado na água, e falando com o cara que dirige aqueles carros que puxam e levam o jet-ski até a água.

- O quê você vai fazer? - perguntei, apavorada.

Eu já sou desastrada em terra firme, na água então, nem se fala.

- Nós vamos fazer. - respondeu ele com um sorriso malicioso no rosto, como se já esperasse que eu não gostasse disso.

Droga, por que eu tinha que ser tão previsível e ele tão imprevisível?

- De jeito nenhum, eu não vou andar nisso aí. - disse, firme, embora por dentro meu coração desse pulos dignos de maratona.

- Ah, vamos, Maria Clara! Vai ser divertido. - ele disse me puxando pelo braço.

- Vai ser é perigoso. - murmurei baixinho.

Marcos colocou um colete salva-vidas em mim, e outro nele. Depois disse que eu tinha que tirar os tênis, e para minha desgraça, subiu no jet-ski azul e branco.

Eu estava relutante. Se minha mãe soubesse disso provavelmente teria um ataque do coração, mas ela não estava em casa, e quem iria contar?

Eu subi no jet-ski atrás dele, molhando meus pés na água fria do rio. Estremeci e me agarrei com força no seu abdômen malhado. Ele deve ter percebido, pois disse:

- Não se preocupe. Eu te salvo se cair na água. - e  com uma piscadela ele acelerou aquele negócio e eu fechei os olhos, sentindo o vento bater direto no meu rosto.

Em pouco tempo estávamos no meio do rio. O sol batendo direto na nossa cabeça e muita gente nos olhando do calçadão.

Os pingos da água cristalina atingiam todo meu corpo e de repente a velocidade diminuiu e senti o jet-ski parar. Só que não estávamos de volta a terra. Estávamos no meio do rio.

- Quer dirigir? - ele perguntou, curvando a cabeça para me ver.

- Quer morrer? - disse rindo e ele riu também.

E em dois segundos Marcos se virou no jet-ski e estava de frente pra mim. Eu achei muito estranho, estávamos perto demais. Meu coração acelerou mais - se é que podia - e torci para ele não poder ouvir. Senti meu rosto ruborizar por entre o cabelo que já estava parcialmente molhado.

- Que foi? - perguntei, cortando o silêncio e sorrindo.

O sol batia direto nos meus olhos claros, e isso dificultava a visão. Eu estava nervosa. Não saber o que Marcos podia fazer estava me deixando louca.

Ele era tão sexy. E lindo e cheiroso, claro.

Sorrindo, ele se inclinou para frente e me beijou. Assim, do nada. Por um momento eu fiquei em choque. O toque dos seus lábios fez com que eu ficasse eletrificada e as borboletas no meu estômago começaram a dar cambalhotas de felicidade. Mas não demorou nem um pouco para eu corresponder ao beijo. Ele levou as mãos na minha cintura e eu no seu pescoço. Por um momento eu esqueci que estava no meio do rio, em cima de um jet-ski, e com umas cinqüenta pessoas nos olhando. Eu não queria parar o beijo, mas a vozinha ainda consciente dentro de mim falava que se eu não parasse agora, não ia ter volta.

Então eu parei, por isso, e porque precisava respirar. Estava tentando pensar no que fazer, no que falar, mas não consegui.

As mãos de Marcos não saíram da minha cintura. Quando abri os olhos, me senti ruborizar completamente. Ele estava a dois centímetros de mim, e aqueles olhos verdes me olhavam atentamente procurando por alguma reação. Qualquer que fosse. Eu não sabia o que fazer. Não sabia o que ele estava esperando.

- Não devia ter feito isso. - disse, baixinho, tentando olhar para qualquer outra coisa a não ser aqueles olhos verdes que me faziam dizer a verdade.

- E por que não? - perguntou, me analisando.

- Eu não sou quem você pensa que sou. - disse, e ele pegou meu rosto com as mãos e o ergueu para ficar de frente aos seus olhos.

- Como não?

- Eu não sou assim. Eu sou chata, irritada, desastrada, desprovida de qualquer sorte, e você não pode querer nada comigo, porque eu não sou assim... - comecei a falar.

Meus olhos encontraram os dele, e eu pude jurar que ele estava rindo.

- É exatamente por isso. - ele disse, sorrindo de um jeito encantador.

- O quê? - eu não estava entendendo. Talvez fosse o beijo, com mais o seu perfume inebriante, ou ainda talvez fosse porque eu estava tão distante da terra firme.

- Você não é como as outras... Você... É diferente - ah, claro. Eu sou diferente. Ok, isso eu já sabia. - Esse seu azar é tão encantador...

- Encantador? - interrompi, de sobrancelhas erguidas. Eu não estava acreditando.

- É. Você tem uma maneira única de ser. Tem suas crenças, descrenças... - ele riu nessa parte. - Eu nunca encontrei alguém como você. Você, é tão imprevisível, e autoritária...

- Eu sou imprevisível? - fiquei de boca aberta. - Você que é imprevisível!

- Eu?

- É! - confirmei. - Eu nunca sei como você vai reagir, nem o que você está pensando, e eu costumo ser muito boa nisso. - falei rapidamente, e ele riu.

- Eu adoro esse seu jeito. - disse ele sorrindo.

Fiquei paralisada. Ele disse que adorava o meu jeito, mesmo que eu não saiba que jeito é esse...

- Você diz o que pensa, faz o que quer, e sempre põe a culpa na má sorte...

- E daí?

- Você tem um gato preto em casa! - ele disse como se fosse óbvio.

- É, eu sei. E já te falei o que penso sobre isso. - falei, um tanto ríspida.

- Tudo bem, vamos voltar. - ele ia se virando no jet-ski, mas eu o segurei pelo braço.

- Por quê? - perguntei. - Por quê eu?

- Eu já disse. Você me encanta. - respondeu, simplesmente.

Mas eu não parei por aí.

- Mas por quê? Eu sou tão normal...

- Aí é que você se engana. Você não é normal, Maria Clara. - eu meio que me ofendi com isso. - Você tem tanto a dizer, tanto a colaborar com o mundo. É tão inteligente, tão bonita... - ele parou por um segundo, pensando no que deveria dizer. -  E sexy. - terminou com uma piscadela, e meu queixo caiu.

Ele esperava uma reação. Qualquer que fosse.

- Hum... - falei. - Você também é sexy. - disse sorrindo e puxei pra mais um beijo.

Era como se eu estivesse sonhando, só que era ainda melhor. Marcos era totalmente real e estava dizendo que eu era inteligente e sexy. Claro que o sexy foi a melhor parte.

Não cair na água aquela hora foi uma grande proeza, devo dizer. Mas era como se perto de Marcos, eu ficasse mais segura... Mais sortuda.

Era como se meu azar desaparecesse perto dele. E isso era muito bom. Era demais... Era...

Pura sorte.

Pesquisa:

 Você gosta de Pura Sorte? Acha que tem potencial pra virar um livro? Então me ajuda, porque eu realmente quero publicar este trequinho que eu amo tanto *-*
Se tu gosta, me ajuda a divulgar! "Propaganda á a alma do negócio!" Não sei quem inventou essa frase, mas eu adoro ela! :) Então, divulgue Pura Sorte pras suas amigas, primas, mãe, tia, prima, e vizinhas. Ou, quem tem pai, mãe escritor? Se o vô é dono da Record, sei lá. Anything. Você faz isso?
E oooutra: me respondam, sinceramente, acham que pode virar livro?
Quero ouvir vocês, tá chicas?

Beijos e obrigada pela atenção *-*
Loveyouall, de coração (lll)

Postado por Daay D. às 14h31
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         Capítulo 5 

         Na sexta-feira de manhã, a aula se passou normal e era o dia da semana que eu mais detestava. Certo, todo mundo adora sexta, pois é o último dia de aula, dia de festa e coisa e tal. Mas eu a odeio. Por quê? Simples. Quatro palavras. Dia de educação física. E o pior. A educação física não é de manhã, como era para ser, mas é de tarde. Então, resumindo, eu tenho que almoçar no colégio, pois meus pais trabalham no hospital, e não podem ficar me buscando e trazendo. Almoço no colégio não é um almoço bom. Ou você escolhe um micro pão de queijo ou uma pizza que provavelmente está ali há mais de um mês. Ou, se você é uma pessoa normal, assim como eu, escolhe um pacote de salgadinho e uma coca. É o melhor que você consegue no bar do meu colégio.

         Para minha surpresa - imagina só - Marcos Malkin também resolveu almoçar no colégio. E veja o quê eu descobri de manhã com a Elisa: ele vai fazer o mesmo esporte que eu, e na mesma hora. Surpresa, não? Digo não. Ele é imprevisível, eu já esperava algo parecido.

         Tentei não parecer nervosa quando ele se aproximou e se sentou na minha frente, na mesa do bar. Infelizmente o lugar estava vazio, pois Elisa e as meninas foram ao banheiro. Anotei mentalmente de esganar cada uma delas mais tarde.

         Ele estava lá, sentado na minha frente, com aquele sorriso, uma lata de coca em uma mão, e a mochila na outra. Aqueles cabelos castanhos, meio dourados, balançavam ao vento refrescante do verão. Fazia muito calor naquele dia. Lembro-me de estar com uma corsário preta e uma blusa do Grêmio, meu time. Eu já ia para o colégio preparada para a educação física.

         - Tudo bom? - ele disse assim que se sentou.

         - Ótimo. - respondi, sorrindo meio forçada e olhando ansiosamente para a porta do banheiro feminino.    

         - Que esporte vai fazer? - perguntou desviando minha atenção para ele.

         - Ah... Vôlei. - disse rapidamente e em seguida olhei de novo por cima do ombro dele. As meninas estavam saindo, finalmente, do banheiro.

         - Eu também.

         - Ótimo. - eu nem tinha ouvido direito o que ele havia falado. Estava mais preocupada em parecer calma e chamar a atenção de Elisa para mim. Ela tinha que me tirar dali.

         Em fim, ela olhou na minha direção e eu fiz alguns gestos para ela ver que eu queria sair dali. Não deu certo. Ela sorriu maliciosamente, fez um legal com o dedo, e chamou as meninas para irem para o ginásio.

         Elisa Montez estava mortinha. Mortinha da silva.

         - Algo errado? - perguntou ele, olhando na direção das meninas.

         - Não, nada. - neguei rapidamente. - Eu já tô indo... - levantei pegando minhas coisas.

         E ele levantou junto.

         - Ah, vou com vocês. - disse ele se levantando também.

         Eu lutava para tentar acalmar meu coração, mas não parecia fazer efeito. O simples fato de eu estar perto do Malkin fazia com que eu ficasse nervosa e agitada. Era muito desconfortável, principalmente porque eu não sabia se ele sabia que eu ficava assim perto dele. Eu esperava que não. Imagina! Que constrangedor.

          Mas foi no jogo, que tudo piorou. Os times estavam separados e eu fiquei no mesmo time do Malkin e da Luísa - uma amiga - contra mais algumas pessoas da minha turma. Bom, eu estava me dando bem como levantadora, até que a professora decidiu me tirar de lá e me botar no meio da quadra. Bom, deu no que deu. Na primeira jogada ali, eu não consegui pegar a bola e ela bateu direto na minha bochecha esquerda. Assim, do nada. Na verdade eu nem vi a bola. Estava é olhando para o bumbum perfeito do cara que estava de levantador. Preciso dizer quem era? O próprio. Marcos Malkin. Bom, como a professora pensou que podia me colocar atrás daquela bunda e algo dar certo? Impossível.

         Então, como eu ia dizendo, a bola que Elisa sacou, do outro lado do campo, foi direto na minha bochecha. Eu não a vi antes de estar a uns trinta centímetros da minha face.

         Acabou todo mundo em minha volta - como sempre acontece -, pois eu consigo ser TÃO sortuda que sempre levo bolada na cabeça. Entendeu porque eu odeio sexta-feira?

         O primeiro que vi em minha volta foi Marcos, ele segurou meu rosto com as duas mãos quentes e perguntou se eu estava bem. Na verdade, ele só piorou as coisas. Eu já estava tonta com a bolada, então com ele tocando em mim, fiquei pior. Por um momento pensei que ia desmaiar novamente, mas tentei me concentrar em ficar na Terra, porque ele realmente ia pensar que eu sou uma bonequinha de cristal que não pode fazer nada e logo desmaia.

         Consegui, com muito esforço, voltar ao normal. Ainda que minha bochecha latejasse - e eu tivesse uma tremenda vontade de pular na Elisa por ela ter sacado tão forte -, consegui me manter concentrada no jogo. Ou na bunda de Marcos Malkin.

         Como preferir.

         No final do jogo, com todos exaustos e querendo ir para casa, Marcos ainda me parou na saída e disse:

         - Meu Deus. Como você é desastrada!

         - Acho que sou mais é desprovida de sorte. - respondi em resposta àquele sorriso irritante (e lindo).

         E fui embora, torcendo para meu coração não pular fora do peito na frente dele. Meu deus, qual é o meu problema?, pensei.

         Eu tinha mais o que fazer, na verdade. Os ensaios para a peça do ano já iam começar, e eu nem tinha começado a decorar minhas falas. É, é. Eu sou do grupo de teatro do colégio, e todo ano apresentamos alguma coisa. Esse ano vai ser Romeu e Julieta, dá pra acreditar? É porque, na verdade, nós já fizemos quase todas as peças possíveis. E a professora cismou que ia ser isso aí. Eu concordei, pra falar a verdade, acho que vai ser bem legal. Bom, tirando a parte que eles se matam e tal. Porque - vamos combinar - Romeu e Julieta é um dramalhão. Ok, ok. É lindo.

        Mas ainda sim é um drama.

        E o pior, eu - euzinha - vou ser a Julieta.

        Você adoraria, não é?

        Mas eu não! Poxa, ela é tão chata e dramática. E pior, eu nem sei quem vai fazer o Romeu! O grupo de teatro não tem muitos meninos capazes de fazer um Romeu decente, se é que você me entende. A professora ficou de escolher e chamar algum cara pra ficar com o papel.

       Qualquer cara.

       É, essa é a minha popular sorte.


N/A: aaaai, gurias! que bom que vcs tão gostando!
adoro os comentários, tanto aqui como lá no Quero Ser Escritora :)
É muito importante pra mim, ver o que vcs tão achando xD~
eu tô postando o mais rápido que eu consigo, porque, só tem 13 capítulos, então daqui a pouco acaba :P
psé, é isso girls. comentem mais aí ;D
beijo beijo :*

Postado por Daay D. às 15h26
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 Ainda Capítulo 4 

- Quem eu sou?

- É. - afirmou. - Me conte algo sobre você.

Ele parecia tão interessado, tão persuasivo, que eu decidi contar. O botão de respostas automáticas recomeçou a funcionar e eu comecei a falar, sem pensar no que eu estava falando. Duas conclusões. Marcos é extremamente imprevisível e persuasivo.

E é claro, lindo, sexy e tudo de bom.

- Eu não acredito em sorte. - disse, rapidamente.

- Não? - ele parecia mais surpreso a cada momento.

- Não. Sorte para mim é uma coisa que não existe. Simplesmente não existe e nunca vai existir. É um fato que não pode ser provado e que as pessoas inventam tentando explicar algo de bom. O que elas não sabem é que elas próprias fazem essas coisas boas aconteceram. Não tem nada a ver com sorte.

- E você só não diz isso porquê é desprovida de tal sorte? - perguntou ele, parecendo muito interessado do meu discurso besta de a-sorte-não-existe.

- Como? - não era possível que ele fizesse tal pergunta.

- Você não acha que não acredita em sorte porquê não a tem? Porquê você é extremamente desastrada? 

- Não. Eu entendi a pergunta. Mas você acha realmente que pode ser isso? - eu fiquei furiosa de repente.

Ele me chamou de ignorante e descrente na mesma frase. Qual é a desse cara?

- Você é totalmente desprovida de sorte, e totalmente provida de azar, então, não acha que a melhor saída seria não acreditar na sorte que você não tem?

Não dá para acreditar.

Em algumas palavras ele conseguiu distorcer pensamentos de dez anos. Realmente imprevisível.

- Não! Não é isso! - falei, rapidamente. - A sorte simplesmente não existe! E daí que eu sou azarada? Não tem nada a ver, o que você quer dizer é que eu sou ignorante o suficiente para esconder o que eu temo?        

Ele realmente me deixou zonza.

- Não... - apressou-se em dizer. - Eu não disse que você era ignorante, é que só pareceu que você tentava esconder sua frustração de não ter sorte, não acreditando nela... - eu o fuzilei com o olhar. Ele não deixou de perceber. - Desculpe. - disse, pegando o lápis novamente. - Eu não quis te contrariar.

- Tarde demais. - disse. - Você já contrariou.

- Desculpe. - ele repetiu de cabeça baixa, mas alguma coisa no seu olhar, antes de ir embora, me mostrou que ele se divertiu com aquilo. Se divertiu com a minha irritação. Nada muito fora do normal.

Mas eu ainda não sabia exatamente quem era Marcos Malkin.

Porém, eu sabia uma coisa:

- E o amor? - ele perguntou de repente, me tirando novamente dos elementos químicos.

- O amor? - perguntei.

- Você disse que não acreditava no que não podia ser provado... E o amor? Você pode provar o amor? - os olhos verdes vivos brilhavam. Meu coração disparou. Ele estava falando deamor comigo.

- O amor pode ser provado. - disse, tentando parecer calma, mas vinha voz saiu meio fragmentada.

- Como? - ele parecia interessado em meu ponto de vista.

- Bom... - quem não acredita em amor, afinal? - O amor está por aí... O amor de mãe e filha, de amigas, e...

- Mas o amor, amor? - ele me interrompeu.

Eu fiz uma cara de interrogação, mas eu sabia do que ele estava falando.

- Eu acredito que só exista um amor para a vida toda. - respondi, porque era isso que ele queria saber. O que eu pensava sobre o amor. - Você pode ter mil namoradas, mas só uma você vai realmente amar. Uma única pessoa em dois bilhões e meio...

- Que pode estar por aí... - ele continuou.

- Exato.

Meu coração disparava no peito. Eu já tinha formulado essa minha idéia, mas nunca tinha a partilhado com ninguém. Dizer isso para um cara como Marcos pareceu estranho.

Não, mentira. Pareceu muito estranho.

Então, no final da aula, quando eu tentava explicar química à ele, Marcos me disse que acreditava em sorte, e que ele estava sendo muito sortudo de um tempo para cá. Eu perguntei por quê, mas ele não respondeu, apenas deu mais um de seus sorrisos lindos e enigmáticos. Eu não consegui encaixar as peças. Malkin conseguia ser tão misterioso, sexy e irritante ao mesmo tempo. Ah, e claro. Imprevisível. O fato de eu não conseguir saber o que ele estava a ponto de fazer, falar, ou como reagiria a alguma situação, estava me deixando louca. Pois, sempre fui observadora e sabia tudo das pessoas ao meu redor. Mas finalmente havia chegado alguém imprevisível. Alguém que eu teria que conhecer. Um desafio.

Postado por Daay D. às 16h41
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 Capítulo 4

A quarta-feira apareceu chuvosa. O barulho da chuva batendo nas telhas fez com que eu suspirasse na cama e quisesse mais do que tudo continuar dormindo. O que não era possível, já que longos períodos de matemática me aguardavam. Levantei, então, relutante, e pensei por alguns segundos que não perderia nada muito importante se não fosse para a aula aquele dia. Mas eu não podia. Não, não. Me sentiria culpada pelo resto do dia. Já havia matado aula no primeiro dia. Coitada de mim se meu pai descobrisse que eu ficara na cama dormindo.

Mas a preguiça era normal, afinal, as aulas só estavam começando e eu ainda não me acostumara a levantar às sete horas da manhã para enfrentar a chuva que vinha caindo.

Consegui, por fim, perder a carona do meu pai, o que me dizia que o dia só estava piorando, e tive que ir caminhando na chuva até o colégio. Não me surpreendi que, quando estava quase chegando, um carro passasse em uma grande poça, fizesse a água levantar e vir toda em cima da minha roupa. Não fiquei surpresa. Sério.
Era só a minha grande sorte agindo.

Fiquei furiosa. Mais do que já estava. Me deu uma tremenda vontade de voltar para casa e me enfiar em baixo das cobertas quentinhas. Mas eu não podia. Depois de gritar nomes feios em direção ao carro eu continuei caminhando. Não dava tempo de voltar para casa e trocar de roupa. Marquei direitinho o carro daquele que me molhou. Era uma camionete EcoSport vermelha, com um adesivo da Nike bem grande atrás.

Ah, eu não me esqueceria dessa. Claro que não fora a primeira vez que isso aconteceu, mas as outras eu deixei passar. Eu estava furiosa demais pra deixar essa passar. Aquele carro provavelmente ia em direção ao colégio, deixar algum aluno lá. Eu esperava. Guardei o guarda-chuva e suspirei, feliz que a chuva tinha parado.

E foi quando eu cheguei ao portão do colégio, e vi quem saía da camionete vermelha, foi que eu me surpreendi. Porque, tremendamente bonito, gostoso, e sorridente, saía do carro Marcos sei-lá-do-quê.

- Ei! Qual é seu sobrenome? - perguntei a ele de repente. Minha vontade era de dar um soco naquele rosto branquinho e perfeito, mas na hora em que ele me olhou, perdi totalmente a coragem. Aquele cara mexia comigo. Não sei explicar, mas era como se eu ficasse totalmente molenga perto dele.

- Bom dia! - disse ele cordialmente e começamos a caminhar em direção à sala de aula. Eu sorri nervosa de volta, então ele continuou. - Por que quer saber?

Essa me pegou de surpresa, então, eu falei a verdade.

- Eu queria te xingar, e quando eu xingo alguém, eu chamo pelo sobrenome, só que eu percebi que não sei seu sobrenome.

Ele ergueu as sobrancelhas, não parecia nada surpreendido com meu repentino comportamento.

- Maria Clara - a menção do meu nome inteiro fez com que eu vacilasse -, me desculpe... Eu não tive a intenção... - ele ia falando e eu fiquei de boca aberta.

- O quê? - disse. - Por que você está se desculpando?

É CLARO que eu queria que ele pedisse desculpas, mas só depois de falar TUDO que ele me fez. Mesmo que ele só tenha passado o carro numa poça d'água e tenha molhado minha calça jeans preferida.

- Por qualquer motivo que você me esteja culpando. - ele falava tão certo, de maneira tão passiva, que eu tive um súbito acesso de raiva. Não sei de onde veio. Talvez fosse minha frustração de ter que acordar cedo, vir para o colégio a pé, e estar molhada da cintura para baixo.

A verdade é que ele me deixava tonta, e eu não sabia porquê. Ele me deixava sem ter o que falar, ele era tão legal e, ao mesmo tempo, eu queria pular na jugular dele. Mas eu não sabia porquê.

- Olha aqui - eu consegui reunir toda força de vontade que ainda restava e ergui o dedo indicador na cara dele de uma maneira autoritária. Teria dado certo meu discurso sobre não molhar pedestres em dias de chuva, mas o sinal tocou.

- Venha, vamos para a aula. - disse ele ignorando completamente minha raiva e me puxou pelo braço, seguindo o caminho para a sala de aula.

Fiquei o período inteiro de matemática tentando descobrir o quê Marcos fazia para que eu não conseguisse reagir perto dele. Claro, a primeira coisa que veio à mente é que eu estava perdidamente apaixonada, mas eu descartei essa hipótese muito antes do que você possa dizer eu sei que você gosta dele. Porque, afinal, é impossível. Eu sou uma menina comum do primeiro ano, da escola nova dele, e nada chama atenção em mim. Ano passado eu era a tutora CDF chata e sem graça que, sem ter ficado com Tiago, continuaria assim. O fato é que eu sabia que não podia acontecer. Marcos era DEMAIS para mim. Eu nem tinha esperanças. E além do mais, nós somos completamente diferentes. Veja só: o cara é todo calmo, da paz, e lindo de morrer. Eu, por outro lado, sou uma menina elétrica e irritada, e nem um pouco linda de morrer. Não me considero feia. Não, sou muito melhor do que algumas que tem por aí, mas um cara como ele, nunca ficaria com alguém como eu. Se é que você me entende.

Se bem que... No ano passado, eu disse a mesma coisa em relação a Tiago. Mas veja só o que aconteceu. Eu fiquei com ele, sim. Mas não durou. E não ia durar. Porque simplesmente isso não acontece. Caras como ele, não ficam com alguém como eu.

Foi o que eu me repeti o resto do período, mas parece que a Terra realmente tinha saído do eixo certo.

- Então, por que você está toda molhada assim? - ele perguntou, se virando na cadeira, assim que o sinal bateu e o professor ia saindo da sala.

- Eu... - fiquei meio zonza com a repentina pergunta. Meu coração disparou, e vi que não teria tempo para pensar, pois ele esperava uma resposta. - Eu me molhei em uma poça d'água. - disse.

Ele não parecia surpreendido. Ao contrário, ele baixou a cabeça e riu.

- Que foi? - perguntei. Ele já estava começando a me irritar.

- Só estou percebendo, nesse meio tempo, como você consegue ser extremamente desastrada. - ah, ótimo. Ele já deduzira isso. Em apenas três dias.

- Ah, é. - admiti, com um meio sorriso. - Mas não ria da desgraça alheia. - alertei.

- Tudo bem, desculpe. - disse ele perdendo o sorriso.

- Você não me disse seu sobrenome.

- Vai me xingar? - ele ergueu as sobrancelhas, mais uma vez.

- Não, eu só queria saber... Para uma próxima vez. - disse sorrindo, e ele fez uma careta.

- Não haverá próxima vez. - disse ele, se virando para frente, mas vi pelos seus olhos que ele estava rindo por dentro.

Como assim, não haverá próxima vez? O que ele quis dizer? Qual é a desse cara afinal?

Eu só sabia de uma coisa: Marcos era extremamente imprevisível.

E eu não gosto de pessoas imprevisíveis. Não mesmo.
 

Então, como combinado, na quinta-feira de tarde Marcos foi à minha casa para eu começar a ensiná-lo o básico da química. Nós não tínhamos nos falado desde o dia anterior, quando ele disse que não haveria próxima vez. E eu ainda não descobrira o que ele queria dizer com aquilo. Não que eu não tentara, na verdade nem dormi direito com aquelas palavras ecoando na minha cabeça. Aquela vozinha chata dizendo que eu preciso dar o benefício da dúvida para ele. Mas o que ELA entende do benefício da dúvida? Eu só dei ele uma vez, e não deu certo. É, isso mesmo, Tiago. Então, aquele dia de manhã ele só falou comigo sobre o trabalho de literatura, no qual nós tínhamos tirado a nota máxima. E só. Eu nem sabia ao certo se ele realmente ia aparecer para a "aula". Eu fiquei pensando no que eu disse de errado... Sério, ou era isso, ou ele era completamente doido da cabeça, porque ele apareceu na minha casa, no horário combinado, completamente normal. Ou eu achava que era o normal...

Mas como eu disse, ele é um cara imprevisível, e isso estava me dando nos nervos.

- Então, elemento químico é um conjunto de átomos de um mesmo número atômico... - eu ia, como disse, explicando o básico à ele.

Nós estávamos sentados na mesa de jantar da sala, que é um lugar aconchegante, e eu tinha começado a aula há poucos minutos.

- Malkin. - ele disse, de repente, para a minha surpresa.

- Quê? - perguntei, tentando acalmar o coração que deu um pulo no peito quando ele falou alguma coisa. A voz dele era sedosa e clara. Como você queria que eu reagisse?

- Meu sobrenome é Malkin. - ele disse,sorrindo da minha surpresa.

- Ah, - eu não sabia o que falar - Legal...

Marcos Malkin, eu estava pensando. É um nome forte... Mas se bem que a sigla fica M. M. e se acrescentar um "s" fica MMs. Ui.

- Ei! - ele estalou os dedos na minha cara, me tirando dos pensamentos recheados de MMs. - Onde estão seus pais? - ele perguntou casualmente.

- No trabalho. - respondi e tentei me concentrar em voltar a explicar a química, mas parecia impossível.

- Em que eles trabalham?

- Olha só, Malkin. Acho que nós combinamos que ia ser só química. - eu disse, deixando escapar Malkin, em vez de Marcos. Ele percebeu isso.

- Eu sei, mas estou curioso sobre você. - continuou. - Em que seus pais trabalham?

Eu não consegui evitar, não podia simplesmente ignorá-lo, e então eu respondi, tentando parecer calma. Ele disse que estava curioso sobre mim! Dá para acreditar? A Terra realmente saiu do eixo certo, não é possível...

Meu pai é médico e minha mãe é pediatra... - respondi, sentindo corar. E nem sei porquê corei.

- Ah, que legal! - ele pareceu empolgado. - E você vai ser médica, também?

Aliás, por que um cara como ele estava querendo saber coisas sobre mim. Por que ele queria me conhecer?

- Não, não... Longe disso. - eu disse dando um meio sorriso.

- Por que não? - perguntou ele, parecendo interessado.

- Eu não gosto muito de sangue, se é que você me entende. - respondi e ele sorriu, parecendo satisfeito.

Marcos largou o lápis em cima do livro e se encostou à cadeira. Parece que ele ia fazer mais perguntas.

- O que você pretende fazer?

- Não sei... Ainda não decidi, mas acho que gostaria de escrever... - eu era sincera. Eu não pensava em nada antes de responder, as palavras simplesmente saiam como se fosse impossível pensar em mentir perto dele. Até que por um momento eu estava gostando.

- Você gosta de escrever...? - pareceu que ele mais falava pra si do que para mim.

- É, eu sempre gostei de ler e escrever, você sabe, coisas de nerds. - foi aí que eu queria que aquele botão de respostas automáticas quebrasse. Eu me auto

denominei nerd. Dá para acreditar?

- Eu não acho que você seja uma nerd. - disse ele, perdendo o sorriso. Eu ri, certamente ele não me conhecia.

- É, você é imprevisível. - disse.

- Sou? - ele levantou uma sobrancelha.

- É, sim! - afirmei. - Você definitivamente não me conhece.

- Então conte. - ele disse botando as mãos atrás da cabeça e parecendo relaxar.

- Contar o quê, exatamente?

- Quem você é.

Assim, na lata, como se fosse super natural alguém me perguntar quem eu sou todo dia. Afinal, eu só sou aquela CDF certinha e irritada do colégio, que um dia vai escrever seu livro e torcer para que ele seja publicado. Uma história de amor jovem que alguém em algum lugar do mundo vai parecer se interessar. Uma em um milhão.


N/A: o blog tá desformatando tudo --' espero que vocês não se importem. capítulo 4 ainda não acabou, já posto o resto! beijo ;*

 

Postado por Daay D. às 16h40
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   Capítulo 3

  
Na manhã seguinte eu me sentia consideravelmente melhor. Acordei bem disposta e a aula se passou  normalmente. Dessa vez eu não sentei com Marcos, e sim com Elisa. Mas parece que Marcos havia feito bastantes amigos no resto do dia anterior. Estava sentado distante de mim, mas na hora do recreio, onde a maioria das pessoas se senta no refeitório para conversar e comer, ele perguntou educadamente se podia sentar conosco. Até que Paulo, um amigo meu, se mostrou uma boa companhia para Marcos. Os dois ficaram o recreio inteiro discutindo futebol e os erros que um juiz tinha feito em algum jogo do time deles. Achei melhor não interromper a conversa dos meninos, afinal eles estavam se dando bem. Paulo é um amigo que eu conheço há uns quatro anos. É um palhaço e tanto, e é ele que me faz rir nas manhãs de aula.
   A surpresa veio depois do recreio, na aula de literatura, onde a professora já havia dado um trabalho para fazer em duplas. Como houve uma enorme bagunça quando fomos escolher as duplas, ela teve um ataque e disse que ela ia sortear as duplas. Imagina só, eu fiquei com o Marcos. O que, para ele, não pareceu uma grande surpresa. É claro que eu gosto dele, e de estar em sua companhia, mas parece que alguém lá em cima estava mexendo os pauzinhos para eu me apaixonar por esse cara.
   Cada momento que passávamos juntos o meu coração batia mais forte e isso me deixava extremamente encabulada. Mas Marcos não parecia notar.
   - Pura sorte. - minha amiga disse. E eu fiquei assim: "Por quê, meu Deus? Por quê eu?"
   - O cara é o maior gato e você fica aí reclamando. - Elisa continuou. - Realmente você tem a maior sorte.
   Ela sabia. Ah, ela sabia que eu não acreditava em sorte. Nunca acreditei. Sorte, para mim, é uma coisa que as pessoas inventam para tentar se sentir melhor em relação a coisas que elas não gostam, ou no meu caso, gostam, mas não admitem. Não acredito nesse negócio de "Ah, fui bem na prova! Tive muita sorte!" Não! Você não teve sorte. Você estudou e você sabia o que tinha que fazer. Não dê a sua vitória à sorte. A sorte não existe.
E tem mais, naquele momento eu não me considerei sortuda, pois eu sabia o que iria acontecer. Mais dois segundos sozinha com aquele cara e eu ia cair de amores por ele. Eu sabia disso. Por isso, não. Eu não tive sorte.
   Foi o que eu disse às meninas, mas como sempre elas só reviraram os olhos e continuaram a dizer que se pegassem Marcos como dupla davam pulinhos de alegria. Duvidei disso. Óbvio que não iam fazer isso. Patético.
   Mas o que eu podia fazer? Eu tinha que fazer o trabalho, afinal. Era apenas para a próxima semana, mas eu combinei com ele que iríamos fazer aquele dia mesmo. Quanto antes melhor, pensei. Então eu marquei o trabalho na minha casa, não me incomodando o fato de só ele aparecer lá, pois a minha avó também estava lá. Preciso dizer que foi um grande erro?
   Minha avó ficou dizendo o quanto ele era bonito e quanto nós ficávamos lindos juntos. Como casal. Eu queria me dar um tiro, mas foi impossível, porque logo depois de fazer o trabalho sobre um poema de Camões, ele lembrou que eu me ofereci para mostrar a cidade, e me cobrou isso.
   Tentei inventar todas as desculpas possíveis, de que minha mãe não estava em casa, coisa e tal. Mas mais uma vez minha avó interferiu e disse que não tinha problema, que eu podia ir e ela avisava a minha mãe.
   Acho que no final do dia eu ia dormir e nunca mais acordar.
   Então, nós fomos.
   Ao parcão.
   Que fica praticamente do outro lado da cidade, e como nenhum de nós já pode dirigir, pegamos um ônibus. Ainda era cedo quando chegamos lá. O parcão é um ótimo lugar pra se passear com a família e com o namorado...
   Mas é claro que eu não estava pensando nisso.
Nós compramos pipoca, mas fiquei triste em saber que ela seria toda destinada aos patos do lago. Marcos parecia estar se divertindo muito, e de fato nós estávamos. Nos divertindo, quero dizer.
   Depois de um tempo caminhando nós sentamos em um banco, sobre a sombra de uma árvore e eu fui aos negócios.
   - Então... Quando você quer começar suas aulas?
   - Quando a Srta. Tutora estiver disponível. - ele disse sorrindo.
   - Ótimo. - falei. - Quinta-feira.
   - Ótimo. - concordou.
   - Mas... - continuei e ele fez uma cara de decepcionado. - Sem brincadeiras. Só química. Amigos, amigos. Negócios à parte. - completei e ele deu a maior gargalhada.
   - Fechado. - ele ergueu a mão para eu apertar. - São só negócios.
   Sorri. Com isso, nós caminhamos mais um tempo pelo parque e ele até me empurrou no balanço.
   Só coisas que os amigos fazem.
   Porém, foi difícil explicar isso à Elisa, mais tarde.
   - Ele pagou a pipoca?
   - Pagou, mas... - tentei falar.
   - Se ele pagou a sua pipoca não quer dizer que são só amigos.    
   - Não! Mas eu disse que...
   - Na, na, não. Admita, Clara. Você está caidinha por ele, e eu não te culpo. Sério. Ele é todo bonitinho.
   - Somos só amigos... - consegui falar.
   - É, mas ele pagou a sua pipoca. - eu sei, eu sei. Ela é patética.
   - Lisa, - disse. - quantas vezes eu não paguei uma pipoca pra você?
   - Isso é diferente! Eu não sou lésbica...
   - Nem eu!
   - Viu? - ah, Deus.
   - Vi o quê?
   - Você não é lésbica, está caidinha por ele! Admita, Clara, ele é bem melhor que seu ex.
   - É, verdade, mas...
   - Viiiu? - ela me interrompeu de novo.
   - É, é. Eu vi que nós somos apenas amigos. - falei rapidamente antes de ela me interromper novamente.
   - Eu também já vi esse filme... - patética. Mas o que eu posso fazer? Ela é minha amiga.
   Não adianta discutir com a Elisa, como vocês já devem ter percebido. Ela é uma cabeça dura cheia de cachos ruivos.
Como eu cheguei em casa tarde, minha mãe exigiu saber com quem eu estava e tudo que aconteceu. Preciso dizer que ela ficou muito empolgada por eu estar saindo com um menino que não seja o Tiago? Sim, ela conhecia o Tiago, e não gostava muito dele, para falar a verdade. Ficou feliz em saber que eu já estava saindo com outro. Mas isso foi o que a minha mãe falou. Eu deixei bem claro que nós éramos só amigos, mas ninguém parece entender isso. Por quê? Por que eu?
Realmente isso não era a minha sorte a qual Elisa se referia frequentemente. Se eu tivesse sorte, realmente? Eu estaria em uma das praias do Caribe, tomando sol com as minhas amigas, com garotos bonitos dispostos a ter um relacionamento sério.
   Eu sei, nem em sonho.
   Fala sério.
   E ainda acham que eu sou sortuda.
   Mas vocês não viram nada, ainda.

;e aaaí? não vão comentar? vou parar de postar :x

Postado por Daay D. às 19h54
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         Ainda Capítulo 2

- Maria Clara?

Eu fui abrindo os olhos com a cabeça voltando a doer. Eu percebi que o mundo não estava no eixo certo, pois ninguém me chama de Maria Clara. Só de Clara.

De primeira eu não reconheci de quem eram os olhos verdes que me olhavam com preocupação. Depois eu pude ver melhor. Marcos estava ali, segurando a minha cabeça. Aparentemente estávamos no chão, pois eu me sentia extremamente desconfortável. Foi como se tivessem batido com um bastão de beisebol na minha cabeça. Eu sentia tudo rodando. Marcos continuava me olhando, sem falar nada, como se soubesse que eu tinha que pensar no que aconteceu primeiro. Então eu vi que a bochecha dele estava vermelha, e não porque ele estava perto de mim, mas porque ele fora atingido por um soco de Tiago. Aquele imbecil, eu pensei.

- Você está bem? – ele finalmente perguntou.

Eu nunca havia desmaiado na vida. Não sabia ao certo se eu tinha desmaiado, mas sabia com certeza de que não estava muito bem. Logo no primeiro dia de aula já tinham acontecido coisas que nem em um ano aconteciam comigo. Primeiro o cara bonito, ao meu lado, depois o Tiago, todo carinhoso pedindo desculpas, depois os dois brigando por mim. Que garota nunca sonhou com dois caras lindos brigando por ela? Mesmo eu sabendo que os interesses de Marcos sejam apenas na química que eu vou explicar a ele. Ele devia estar me achando a mais fresca do mundo. Desmaiar? E depois, não conseguir se defender sozinha. Que tipo de menina é essa?

Eu me senti ruborizar e tentei levantar com a ajuda dele.

- O que aconteceu? – perguntei sentada, passando a mão pelos cabelos, que tinha certeza, estavam péssimos.

- Aparentemente seu namorado não ficou satisfeito em ser o ex. – ele respondeu rindo e depois eu percebi que havia um círculo de pessoas a nossa volta.

- Ele não é meu namorado. Não mais. – resmunguei baixinho.

- Eu te entendo perfeitamente. O cara é um idiota. – ele disse, aparentemente tentado arrancar um sorriso meu. E ele conseguiu, eu sorri e me levantei.

- Obrigada. – disse, encabulada.

- Não há de quê. – disse ele, gentilmente. E depois para todos que estavam em volta: - Ok, ok. Acabou o show. Ela está bem.

Devo dizer que isso me deixou mais envergonhada ainda? Meu Deus, o cara deu um soco num cara que ele nem conhecia, por mim. Depois ele ficou preocupado comigo. E agora parecia um herói. “Acabou o show!” Preciso dizer que eu achei que havia morrido e estava no céu?

As pessoas foram saindo, aos poucos, e voltando a fazer o que estavam fazendo antes de eu ser assediada sexualmente pelo meu ex-namorado. Pois é.

Só Elisa ficou e veio até mim.

- Meu Deus, Clara! – disse ela. – Você não comeu nada ontem e nem hoje? – ela perguntou em um tom maternal.

Não, eu realmente não tinha comido, nada além de chocolate. Mas como ela adivinhou?

- Não acredito nisso! Você deveria ter comido alguma coisa! – mas eu comi!, queria dizer, chocolate! Mas não disse, e ela continuou seu discurso. Percebendo que não tinha mais nada para fazer ali, Marcos foi saindo, de fininho. Mas não sem antes dar uma piscadela pra mim.

Ah, meu Deus! Eu queria me enfiar num buraco e nunca mais sair de lá! Como eu ia encarar o cara no resto da aula? Eu já estava muito embaraçada para um dia só. Concluí isso e pedi para a minha mãe vir me buscar no colégio, alegando que eu não estava me sentindo bem. E era verdade.

Não contei nada sobre o que havia acontecido mais cedo, não havia nada que ela pudesse fazer, afinal.

Eu queria ser uma mosquinha para ver o que aconteceria na aula depois que eu fui embora. Tiago e Marcos ficariam se fuzilando com o olhar? Ficariam brigando por mim? Eu sei, eu sei. Estava sonhando...

Mas o que eu poderia fazer? Resposta: nada. Minha mãe me mandou descansar, e eu fui, mas logo depois de ver um filme percebi que eu realmente não tinha nada pra fazer. Porém, eu estava me sentindo melhor com a tonelada de remédios que minha mãe tinha me dado, então eu decidi ir caminhar um pouco. Minha mãe tinha voltado ao trabalho, portanto não havia ninguém em casa, então eu pude sair. Minha casa é perto do calçadão, que dá vista pro rio. Então eu fiz um rabo-de-cavalo e fui caminhar. Junto do iPod, a melhor companhia que eu poderia ter agora, eu fui. Ao contrário da véspera, o dia estava lindo e quente, o que fez muitas pessoas saírem e caminharem naquela tarde.

Eu ia caminhando rápido, quando fui mudar de música no iPod que bati em alguma coisa. Ou melhor, em alguém. Adivinha.

- Ah, desculpe. – eu falei antes de ver que era Marcos. – Oi! – eu estava surpresa. Não, eu estava mais que surpresa. O cara estava me seguindo ou o quê?

Tirei os fones dos ouvidos e me senti ruborizar. Aqueles olhos verdes brilhavam a luz do sol.

- Oi! – disse surpreso. – Você não estava doente?

- Eu... Melhorei! – respondi rindo meio nervosa. – V-você mora aqui por perto? – perguntei com uma voz estranha.

Afinal, qual é? Por quê eu ficava assim com esse cara? Qual é o meu problema? Oh, e não diga que eu estou gostando dele, porque isso é estritamente uma grande mentira. A última coisa que eu quero agora é ter outro relacionamento. Já me basta o Tiago. Mais um eu acho que não agüento.

- Sim... Por aqui. – respondeu. – Quer sentar um pouco?

Mas eu posso ser aberta a amigos, não posso?

Nós nos sentamos em um dos vários bancos que ficam no calçadão de frente para o rio. Não vou mentir, nós parecíamos um casal que saiu pra caminhar sob os raios do sol. Essa não me parecia uma idéia muito ruim...

- Se acostumando na cidade? – eu puxei um assunto, porque ficou um silêncio tão grande entre nós que parecia que ia rolar um beijo. Não que fosse ruim...

- Sim! Achei ótima...

Marcos estava com um calção azul marinho e uma regata branca, que me deixava ver seus músculos. Seu cabelo estava arrepiado e bom... Ele me olhava encantadoramente.

- Sobre hoje de manhã... – eu comecei, não queria tocar no assunto, mas achei que devia uma desculpa. – Sinto muito...

- Não foi sua culpa. – ele disse rapidamente.

- Mas...

- Sério. – me interroupeu. – Se aquele cara é um idiota e não consegue entender as coisas, não é sua culpa. – eu não falei mais nada, então ele prosseguiu. – Desculpe, não sei se você gosta dele...

- Não! – eu neguei rapidamente. – É que ele é tão... Bom, esqueça. Obrigada, mesmo assim, por ter me “salvado”. – eu fiz aspas com os dedos e nós dois rimos.

- Disponha. – ele respondeu, por fim.

Nós ficamos um tempo olhando o sol, que aos poucos sumia e parecia entrar na água do rio.

- Ei, eu posso te mostrar a cidade, se quiser! – falei animadamente, já me sentindo mais confortável na presença dele.

- Eu adoraria! – respondeu. – Afinal, essa semana não vai ter muita coisa pra fazer, não é?

- É... Sabe, os professores só vão papear, mesmo. – eu concordei.

Depois de um tempo conversando sobre bobagens, eu levantei e disse que tinha que ir, porque não disse a minha mãe que iria sair de casa. Nós nos despedimos, e com um “A gente se vê por aí, se cuida.” ele virou e continuou a caminhar. Eu fiz a mesma coisa, pensando se estava delirando.

O cara era um sonho. Agradável, gentil e bonito. Por mais que eu tentasse não pensar desse jeito, eu meio que não conseguia. Eu não sou de me apaixonar por qualquer um, mas esse cara, não sei... Eu parecia mais segura perto dele. Ou talvez eu só estivesse delirando mesmo. Vai saber o que a gripe faz com as pessoas.

Postado por Daay D. às 13h19
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Capítulo 2

 

Não que eu não tenha olhado ele enquanto todo o restante da turma falava seu nome. Eu olhei sim, e digo: Ele é alto, moreno, forte e tem um lindo sorriso. Dava para ver que as chatinhas do outro canto da sala, onde Tiago também estava sentado, também ficaram secando o Marcos com os olhos. O Tiago, por outro lado, só me olhava com muita raiva nos olhos. Mas a única pessoa que tinha que estar com raiva ali, era EU. Pois EU peguei praticamente uma PNEUMONIA andando NA CHUVA dois quilômetros para poder voltar pra casa, depois de ver o MEU namorado beijando OUTRA. Que eu não conhecia, por sinal.

- Tem alguém aqui que é novo no colégio? – o professor perguntou, após todos já dizerem os seus nomes.

Notei que não havia mais ninguém novo na sala, só uma menina, mas ela já era um caso perdido, sendo que estava sentada com as gurias chatas do outro lado da sala.

Marcos ergueu a mão, dizendo que era novo, juntamente com a menina do outro lado, a qual eu não prestei atenção em qual era seu nome.

- De onde você veio? – o sôr perguntou ao Marcos, que respondeu, com uma voz extremamente sedosa e bonita que vinha de outro estado, do Paraná, para ser mais precisa.

Não que o Rio Grande do Sul não tenha homens bonitos, claro que tem, mas posso dizer que o Marcos foi um grande achado. Ele ainda estar na minha turma, sentar ao meu lado, e bom, sorrir pra mim, eu podia dizer que a minha sorte estava realmente tomando lugar.

Mas isso durou pouco, pois quando bateu o sinal para o outro período, Tiago veio até a minha mesa e começou a se desculpar e disse que realmente não queria me magoar, o que, estranhamente, fez Marcos rir. Ele não podia fingir que não escutava.

- Nós podemos discutir isso mais tarde? – perguntei sentindo um enjôo instantâneo, o que, percebi, fazia parte da minha gripe.

- Claro. – ele disse, voltando ao lugar com aqueles olhões azuis de bebê.

Para a minha surpresa, Marcos começou a rir ainda mais quando eu fiz uma careta na direção do Tiago.

- O que foi? – perguntei.

- Nada, só estou vendo como você é carinhosa com seu namorado. – ele disse com aquele sorriso lindo, que fez meu coração disparar.

- Ele não é mais meu namorado. - eu respondi não me sentindo bem com o assunto.

- Você está doente? – ele perguntou e eu ergui as sobrancelhas.

- Está tão na cara assim? – perguntei e vi que algumas pessoas ali atrás, digo, minhas amigas, ouviam a conversa atentamente.

- Não, eu só deduzi como você está com um péssimo humor e o rosto vermelho. – disse.

Depois disso devo ter ficado mais vermelha ainda, mas pedi a Deus que ele não notasse. Meu coração batia forte no peito. Ele não parou por aí.

- Clara, não é? – perguntou passando a mão pelos cabelos e bagunçando eles um pouco.

- É Maria Clara. – Elisa se inclinou para frente e se meteu no assunto.

Eu juro que estava a ponto de pular nela por ela ter aberto a boca. Fato que eu não consegui fazer, por alguma razão.

- Maria Clara. – ele disse em tom casual, me olhando atentamente com os olhos verdes.

- É, mas me chame só de Clara. – eu consegui falar, e neste momento o professor de biologia entrou na sala.

E foi tudo a mesma história de novo.

Tirando que sempre que podia Marcos se virava e falava comigo. Ele se mostrou um cara bem agradável e inteligente. Só disse que teria dificuldade em Química, porque, ele explicou, no seu antigo colégio não tinha e ele estava atrasado em relação a nós. Ele disse que provavelmente precisaria de um tutor, e foi aí que eu disse:

- Eu sou tutora!

 Ele ergueu as sobrancelhas, parecendo desconfiado.

- Jura?

- É... Eu posso te ajudar... É... Se você quiser. – as palavras saíram da minha boca, mas eu não tive a intenção de dizê-las. Foi automático.

Então quando eu vi, ele já estava concordando:

- Ótimo. – com um sorriso triunfante no rosto.

Elisa me olhou interrogativamente, mas eu não sabia o que dizer. E que papo foi aquele que ele disse que eu estava mal humorada? Eu não acredito que o cara disse aquilo. Digo, ele nem me conhece! E deduziu que Tiago era meu namorado... Talvez ele tivesse uma bola de cristal.

Eu estava comentando isso no recreio com as meninas, quando de repente um braço muito forte me puxou de onde eu estava sentada.

- Ei! – gritei, assustada. Mas depois vi que era só o Tiago, dando um ataque de ciúmes no meio do refeitório. – Me larga! – eu pedi, o aperto dele no meu braço era forte.

Ele não disse nada, só ficou me olhando e depois começou a me puxar em direção à um canto menos movimentado. Mas eu não estava disposta a ir a nenhum canto com aquele cara. Para mim, ele já tinha se tornado uma persorna non grata.

- Me larga! – eu gritei de novo, atraindo a atenção de algumas pessoas que estavam por ali.

Não tive chance de um dar um tapa nele. Tiago estava me segurando muito forte e parecia não me ouvir. Parecia também não se importar que todo o colégio estivesse parado nos olhando. Enquanto ele me arrastava contra a minha vontade, e ninguém, nem uma alma, fazia algo contra aquilo.

Então, foi questão de um segundo, que eu vi Marcos saindo do meio da multidão, ele disse algo como “solta ela!” e pum! Deu um soco na cara de Tiago. Ele voou longe, me soltando e depois de se recuperar partiu pra cima de Marcos. Eu senti um enjôo, devido estar de barriga vazia há tanto tempo, minha cabeça latejando, e então eu não vi mais nada.

 


N/D: e aí? gostando? comentem! *-* esse não é o cápítulo 2 inteiro porque não coube aqui, daí eu posto já posto o resto :*

Postado por Daay D. às 13h18
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Clara é uma adolescente completamente azarada e desastrada que não acredita nesse papo de sorte. Quando um novo garoto chega na cidade e no mesmo colégio dela, as coisas parecem tomar um rumo diferente, e Clara terá que rever essa coisa toda de sorte e azar!

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Eu nunca fui do tipo que você chamaria de sortuda, sempre tropeçando por aí em círculos. Mas eu devo ter tropeçado em algo... Eu estou mesmo sozinha com você? Eu acordo sentindo que minha vida vale ser vivida, não consigo me lembrar da última vez que me senti assim. Agora quem iria pensar que alguém como você poderia me amar? Você é a última coisa que meu coração esperava. Quem iria pensar que eu algum dia encontraria alguém que me faz sentir assim? Alguns corações só dão sorte às vezes.

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A Autora: Daay D.

Sou uma menina de quinze anos que ainda acredita em contos de fadas, que gosta de ouvir música no último volume, que não vive sem as amigas, que adora incomodar as irmãs menores, que quer fazer faculdade de jornalismo, publicidade ou psicologia, que é indecisa – graças à mãe-, que é de lua, que se irrita fácil, que não gosta de nada que tenha matemática, que é fascinada pelos livros. Sou uma menina que não acredita em sorte, que quer escrever seu livro, que é viciada em chocolate, que não pode nem ver filme de terror de tão medrosa, que adora ver TV, que odeia estudar, mas estuda. Sou uma menina que quer viajar pelo mundo inteiro, conhecer gente nova e fazer compras, que sonha com seu príncipe encantado, que precisa conhecer, pelo menos, algum dos seus ídolos, para não pensar que há um complô lá em cima contra ela. Sou uma menina careta que quer muito ir para o Caribe com as amigas, ficar moreninha, beijar uns marinheiros gatchenhos e nadar naquela água transparente. Sou uma menina que acredita demais no amor. No único e verdadeiro amor. Aquele para a vida toda. Dayanne, prazer :) Pode me chamar de Day.

Contato: dayds_@hotmail.com

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