Ainda Capítulo 4 

- Quem eu sou?

- É. - afirmou. - Me conte algo sobre você.

Ele parecia tão interessado, tão persuasivo, que eu decidi contar. O botão de respostas automáticas recomeçou a funcionar e eu comecei a falar, sem pensar no que eu estava falando. Duas conclusões. Marcos é extremamente imprevisível e persuasivo.

E é claro, lindo, sexy e tudo de bom.

- Eu não acredito em sorte. - disse, rapidamente.

- Não? - ele parecia mais surpreso a cada momento.

- Não. Sorte para mim é uma coisa que não existe. Simplesmente não existe e nunca vai existir. É um fato que não pode ser provado e que as pessoas inventam tentando explicar algo de bom. O que elas não sabem é que elas próprias fazem essas coisas boas aconteceram. Não tem nada a ver com sorte.

- E você só não diz isso porquê é desprovida de tal sorte? - perguntou ele, parecendo muito interessado do meu discurso besta de a-sorte-não-existe.

- Como? - não era possível que ele fizesse tal pergunta.

- Você não acha que não acredita em sorte porquê não a tem? Porquê você é extremamente desastrada? 

- Não. Eu entendi a pergunta. Mas você acha realmente que pode ser isso? - eu fiquei furiosa de repente.

Ele me chamou de ignorante e descrente na mesma frase. Qual é a desse cara?

- Você é totalmente desprovida de sorte, e totalmente provida de azar, então, não acha que a melhor saída seria não acreditar na sorte que você não tem?

Não dá para acreditar.

Em algumas palavras ele conseguiu distorcer pensamentos de dez anos. Realmente imprevisível.

- Não! Não é isso! - falei, rapidamente. - A sorte simplesmente não existe! E daí que eu sou azarada? Não tem nada a ver, o que você quer dizer é que eu sou ignorante o suficiente para esconder o que eu temo?        

Ele realmente me deixou zonza.

- Não... - apressou-se em dizer. - Eu não disse que você era ignorante, é que só pareceu que você tentava esconder sua frustração de não ter sorte, não acreditando nela... - eu o fuzilei com o olhar. Ele não deixou de perceber. - Desculpe. - disse, pegando o lápis novamente. - Eu não quis te contrariar.

- Tarde demais. - disse. - Você já contrariou.

- Desculpe. - ele repetiu de cabeça baixa, mas alguma coisa no seu olhar, antes de ir embora, me mostrou que ele se divertiu com aquilo. Se divertiu com a minha irritação. Nada muito fora do normal.

Mas eu ainda não sabia exatamente quem era Marcos Malkin.

Porém, eu sabia uma coisa:

- E o amor? - ele perguntou de repente, me tirando novamente dos elementos químicos.

- O amor? - perguntei.

- Você disse que não acreditava no que não podia ser provado... E o amor? Você pode provar o amor? - os olhos verdes vivos brilhavam. Meu coração disparou. Ele estava falando deamor comigo.

- O amor pode ser provado. - disse, tentando parecer calma, mas vinha voz saiu meio fragmentada.

- Como? - ele parecia interessado em meu ponto de vista.

- Bom... - quem não acredita em amor, afinal? - O amor está por aí... O amor de mãe e filha, de amigas, e...

- Mas o amor, amor? - ele me interrompeu.

Eu fiz uma cara de interrogação, mas eu sabia do que ele estava falando.

- Eu acredito que só exista um amor para a vida toda. - respondi, porque era isso que ele queria saber. O que eu pensava sobre o amor. - Você pode ter mil namoradas, mas só uma você vai realmente amar. Uma única pessoa em dois bilhões e meio...

- Que pode estar por aí... - ele continuou.

- Exato.

Meu coração disparava no peito. Eu já tinha formulado essa minha idéia, mas nunca tinha a partilhado com ninguém. Dizer isso para um cara como Marcos pareceu estranho.

Não, mentira. Pareceu muito estranho.

Então, no final da aula, quando eu tentava explicar química à ele, Marcos me disse que acreditava em sorte, e que ele estava sendo muito sortudo de um tempo para cá. Eu perguntei por quê, mas ele não respondeu, apenas deu mais um de seus sorrisos lindos e enigmáticos. Eu não consegui encaixar as peças. Malkin conseguia ser tão misterioso, sexy e irritante ao mesmo tempo. Ah, e claro. Imprevisível. O fato de eu não conseguir saber o que ele estava a ponto de fazer, falar, ou como reagiria a alguma situação, estava me deixando louca. Pois, sempre fui observadora e sabia tudo das pessoas ao meu redor. Mas finalmente havia chegado alguém imprevisível. Alguém que eu teria que conhecer. Um desafio.

Postado por Daay D. às 16h41
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 Capítulo 4

A quarta-feira apareceu chuvosa. O barulho da chuva batendo nas telhas fez com que eu suspirasse na cama e quisesse mais do que tudo continuar dormindo. O que não era possível, já que longos períodos de matemática me aguardavam. Levantei, então, relutante, e pensei por alguns segundos que não perderia nada muito importante se não fosse para a aula aquele dia. Mas eu não podia. Não, não. Me sentiria culpada pelo resto do dia. Já havia matado aula no primeiro dia. Coitada de mim se meu pai descobrisse que eu ficara na cama dormindo.

Mas a preguiça era normal, afinal, as aulas só estavam começando e eu ainda não me acostumara a levantar às sete horas da manhã para enfrentar a chuva que vinha caindo.

Consegui, por fim, perder a carona do meu pai, o que me dizia que o dia só estava piorando, e tive que ir caminhando na chuva até o colégio. Não me surpreendi que, quando estava quase chegando, um carro passasse em uma grande poça, fizesse a água levantar e vir toda em cima da minha roupa. Não fiquei surpresa. Sério.
Era só a minha grande sorte agindo.

Fiquei furiosa. Mais do que já estava. Me deu uma tremenda vontade de voltar para casa e me enfiar em baixo das cobertas quentinhas. Mas eu não podia. Depois de gritar nomes feios em direção ao carro eu continuei caminhando. Não dava tempo de voltar para casa e trocar de roupa. Marquei direitinho o carro daquele que me molhou. Era uma camionete EcoSport vermelha, com um adesivo da Nike bem grande atrás.

Ah, eu não me esqueceria dessa. Claro que não fora a primeira vez que isso aconteceu, mas as outras eu deixei passar. Eu estava furiosa demais pra deixar essa passar. Aquele carro provavelmente ia em direção ao colégio, deixar algum aluno lá. Eu esperava. Guardei o guarda-chuva e suspirei, feliz que a chuva tinha parado.

E foi quando eu cheguei ao portão do colégio, e vi quem saía da camionete vermelha, foi que eu me surpreendi. Porque, tremendamente bonito, gostoso, e sorridente, saía do carro Marcos sei-lá-do-quê.

- Ei! Qual é seu sobrenome? - perguntei a ele de repente. Minha vontade era de dar um soco naquele rosto branquinho e perfeito, mas na hora em que ele me olhou, perdi totalmente a coragem. Aquele cara mexia comigo. Não sei explicar, mas era como se eu ficasse totalmente molenga perto dele.

- Bom dia! - disse ele cordialmente e começamos a caminhar em direção à sala de aula. Eu sorri nervosa de volta, então ele continuou. - Por que quer saber?

Essa me pegou de surpresa, então, eu falei a verdade.

- Eu queria te xingar, e quando eu xingo alguém, eu chamo pelo sobrenome, só que eu percebi que não sei seu sobrenome.

Ele ergueu as sobrancelhas, não parecia nada surpreendido com meu repentino comportamento.

- Maria Clara - a menção do meu nome inteiro fez com que eu vacilasse -, me desculpe... Eu não tive a intenção... - ele ia falando e eu fiquei de boca aberta.

- O quê? - disse. - Por que você está se desculpando?

É CLARO que eu queria que ele pedisse desculpas, mas só depois de falar TUDO que ele me fez. Mesmo que ele só tenha passado o carro numa poça d'água e tenha molhado minha calça jeans preferida.

- Por qualquer motivo que você me esteja culpando. - ele falava tão certo, de maneira tão passiva, que eu tive um súbito acesso de raiva. Não sei de onde veio. Talvez fosse minha frustração de ter que acordar cedo, vir para o colégio a pé, e estar molhada da cintura para baixo.

A verdade é que ele me deixava tonta, e eu não sabia porquê. Ele me deixava sem ter o que falar, ele era tão legal e, ao mesmo tempo, eu queria pular na jugular dele. Mas eu não sabia porquê.

- Olha aqui - eu consegui reunir toda força de vontade que ainda restava e ergui o dedo indicador na cara dele de uma maneira autoritária. Teria dado certo meu discurso sobre não molhar pedestres em dias de chuva, mas o sinal tocou.

- Venha, vamos para a aula. - disse ele ignorando completamente minha raiva e me puxou pelo braço, seguindo o caminho para a sala de aula.

Fiquei o período inteiro de matemática tentando descobrir o quê Marcos fazia para que eu não conseguisse reagir perto dele. Claro, a primeira coisa que veio à mente é que eu estava perdidamente apaixonada, mas eu descartei essa hipótese muito antes do que você possa dizer eu sei que você gosta dele. Porque, afinal, é impossível. Eu sou uma menina comum do primeiro ano, da escola nova dele, e nada chama atenção em mim. Ano passado eu era a tutora CDF chata e sem graça que, sem ter ficado com Tiago, continuaria assim. O fato é que eu sabia que não podia acontecer. Marcos era DEMAIS para mim. Eu nem tinha esperanças. E além do mais, nós somos completamente diferentes. Veja só: o cara é todo calmo, da paz, e lindo de morrer. Eu, por outro lado, sou uma menina elétrica e irritada, e nem um pouco linda de morrer. Não me considero feia. Não, sou muito melhor do que algumas que tem por aí, mas um cara como ele, nunca ficaria com alguém como eu. Se é que você me entende.

Se bem que... No ano passado, eu disse a mesma coisa em relação a Tiago. Mas veja só o que aconteceu. Eu fiquei com ele, sim. Mas não durou. E não ia durar. Porque simplesmente isso não acontece. Caras como ele, não ficam com alguém como eu.

Foi o que eu me repeti o resto do período, mas parece que a Terra realmente tinha saído do eixo certo.

- Então, por que você está toda molhada assim? - ele perguntou, se virando na cadeira, assim que o sinal bateu e o professor ia saindo da sala.

- Eu... - fiquei meio zonza com a repentina pergunta. Meu coração disparou, e vi que não teria tempo para pensar, pois ele esperava uma resposta. - Eu me molhei em uma poça d'água. - disse.

Ele não parecia surpreendido. Ao contrário, ele baixou a cabeça e riu.

- Que foi? - perguntei. Ele já estava começando a me irritar.

- Só estou percebendo, nesse meio tempo, como você consegue ser extremamente desastrada. - ah, ótimo. Ele já deduzira isso. Em apenas três dias.

- Ah, é. - admiti, com um meio sorriso. - Mas não ria da desgraça alheia. - alertei.

- Tudo bem, desculpe. - disse ele perdendo o sorriso.

- Você não me disse seu sobrenome.

- Vai me xingar? - ele ergueu as sobrancelhas, mais uma vez.

- Não, eu só queria saber... Para uma próxima vez. - disse sorrindo, e ele fez uma careta.

- Não haverá próxima vez. - disse ele, se virando para frente, mas vi pelos seus olhos que ele estava rindo por dentro.

Como assim, não haverá próxima vez? O que ele quis dizer? Qual é a desse cara afinal?

Eu só sabia de uma coisa: Marcos era extremamente imprevisível.

E eu não gosto de pessoas imprevisíveis. Não mesmo.
 

Então, como combinado, na quinta-feira de tarde Marcos foi à minha casa para eu começar a ensiná-lo o básico da química. Nós não tínhamos nos falado desde o dia anterior, quando ele disse que não haveria próxima vez. E eu ainda não descobrira o que ele queria dizer com aquilo. Não que eu não tentara, na verdade nem dormi direito com aquelas palavras ecoando na minha cabeça. Aquela vozinha chata dizendo que eu preciso dar o benefício da dúvida para ele. Mas o que ELA entende do benefício da dúvida? Eu só dei ele uma vez, e não deu certo. É, isso mesmo, Tiago. Então, aquele dia de manhã ele só falou comigo sobre o trabalho de literatura, no qual nós tínhamos tirado a nota máxima. E só. Eu nem sabia ao certo se ele realmente ia aparecer para a "aula". Eu fiquei pensando no que eu disse de errado... Sério, ou era isso, ou ele era completamente doido da cabeça, porque ele apareceu na minha casa, no horário combinado, completamente normal. Ou eu achava que era o normal...

Mas como eu disse, ele é um cara imprevisível, e isso estava me dando nos nervos.

- Então, elemento químico é um conjunto de átomos de um mesmo número atômico... - eu ia, como disse, explicando o básico à ele.

Nós estávamos sentados na mesa de jantar da sala, que é um lugar aconchegante, e eu tinha começado a aula há poucos minutos.

- Malkin. - ele disse, de repente, para a minha surpresa.

- Quê? - perguntei, tentando acalmar o coração que deu um pulo no peito quando ele falou alguma coisa. A voz dele era sedosa e clara. Como você queria que eu reagisse?

- Meu sobrenome é Malkin. - ele disse,sorrindo da minha surpresa.

- Ah, - eu não sabia o que falar - Legal...

Marcos Malkin, eu estava pensando. É um nome forte... Mas se bem que a sigla fica M. M. e se acrescentar um "s" fica MMs. Ui.

- Ei! - ele estalou os dedos na minha cara, me tirando dos pensamentos recheados de MMs. - Onde estão seus pais? - ele perguntou casualmente.

- No trabalho. - respondi e tentei me concentrar em voltar a explicar a química, mas parecia impossível.

- Em que eles trabalham?

- Olha só, Malkin. Acho que nós combinamos que ia ser só química. - eu disse, deixando escapar Malkin, em vez de Marcos. Ele percebeu isso.

- Eu sei, mas estou curioso sobre você. - continuou. - Em que seus pais trabalham?

Eu não consegui evitar, não podia simplesmente ignorá-lo, e então eu respondi, tentando parecer calma. Ele disse que estava curioso sobre mim! Dá para acreditar? A Terra realmente saiu do eixo certo, não é possível...

Meu pai é médico e minha mãe é pediatra... - respondi, sentindo corar. E nem sei porquê corei.

- Ah, que legal! - ele pareceu empolgado. - E você vai ser médica, também?

Aliás, por que um cara como ele estava querendo saber coisas sobre mim. Por que ele queria me conhecer?

- Não, não... Longe disso. - eu disse dando um meio sorriso.

- Por que não? - perguntou ele, parecendo interessado.

- Eu não gosto muito de sangue, se é que você me entende. - respondi e ele sorriu, parecendo satisfeito.

Marcos largou o lápis em cima do livro e se encostou à cadeira. Parece que ele ia fazer mais perguntas.

- O que você pretende fazer?

- Não sei... Ainda não decidi, mas acho que gostaria de escrever... - eu era sincera. Eu não pensava em nada antes de responder, as palavras simplesmente saiam como se fosse impossível pensar em mentir perto dele. Até que por um momento eu estava gostando.

- Você gosta de escrever...? - pareceu que ele mais falava pra si do que para mim.

- É, eu sempre gostei de ler e escrever, você sabe, coisas de nerds. - foi aí que eu queria que aquele botão de respostas automáticas quebrasse. Eu me auto

denominei nerd. Dá para acreditar?

- Eu não acho que você seja uma nerd. - disse ele, perdendo o sorriso. Eu ri, certamente ele não me conhecia.

- É, você é imprevisível. - disse.

- Sou? - ele levantou uma sobrancelha.

- É, sim! - afirmei. - Você definitivamente não me conhece.

- Então conte. - ele disse botando as mãos atrás da cabeça e parecendo relaxar.

- Contar o quê, exatamente?

- Quem você é.

Assim, na lata, como se fosse super natural alguém me perguntar quem eu sou todo dia. Afinal, eu só sou aquela CDF certinha e irritada do colégio, que um dia vai escrever seu livro e torcer para que ele seja publicado. Uma história de amor jovem que alguém em algum lugar do mundo vai parecer se interessar. Uma em um milhão.


N/A: o blog tá desformatando tudo --' espero que vocês não se importem. capítulo 4 ainda não acabou, já posto o resto! beijo ;*

 

Postado por Daay D. às 16h40
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   Capítulo 3

  
Na manhã seguinte eu me sentia consideravelmente melhor. Acordei bem disposta e a aula se passou  normalmente. Dessa vez eu não sentei com Marcos, e sim com Elisa. Mas parece que Marcos havia feito bastantes amigos no resto do dia anterior. Estava sentado distante de mim, mas na hora do recreio, onde a maioria das pessoas se senta no refeitório para conversar e comer, ele perguntou educadamente se podia sentar conosco. Até que Paulo, um amigo meu, se mostrou uma boa companhia para Marcos. Os dois ficaram o recreio inteiro discutindo futebol e os erros que um juiz tinha feito em algum jogo do time deles. Achei melhor não interromper a conversa dos meninos, afinal eles estavam se dando bem. Paulo é um amigo que eu conheço há uns quatro anos. É um palhaço e tanto, e é ele que me faz rir nas manhãs de aula.
   A surpresa veio depois do recreio, na aula de literatura, onde a professora já havia dado um trabalho para fazer em duplas. Como houve uma enorme bagunça quando fomos escolher as duplas, ela teve um ataque e disse que ela ia sortear as duplas. Imagina só, eu fiquei com o Marcos. O que, para ele, não pareceu uma grande surpresa. É claro que eu gosto dele, e de estar em sua companhia, mas parece que alguém lá em cima estava mexendo os pauzinhos para eu me apaixonar por esse cara.
   Cada momento que passávamos juntos o meu coração batia mais forte e isso me deixava extremamente encabulada. Mas Marcos não parecia notar.
   - Pura sorte. - minha amiga disse. E eu fiquei assim: "Por quê, meu Deus? Por quê eu?"
   - O cara é o maior gato e você fica aí reclamando. - Elisa continuou. - Realmente você tem a maior sorte.
   Ela sabia. Ah, ela sabia que eu não acreditava em sorte. Nunca acreditei. Sorte, para mim, é uma coisa que as pessoas inventam para tentar se sentir melhor em relação a coisas que elas não gostam, ou no meu caso, gostam, mas não admitem. Não acredito nesse negócio de "Ah, fui bem na prova! Tive muita sorte!" Não! Você não teve sorte. Você estudou e você sabia o que tinha que fazer. Não dê a sua vitória à sorte. A sorte não existe.
E tem mais, naquele momento eu não me considerei sortuda, pois eu sabia o que iria acontecer. Mais dois segundos sozinha com aquele cara e eu ia cair de amores por ele. Eu sabia disso. Por isso, não. Eu não tive sorte.
   Foi o que eu disse às meninas, mas como sempre elas só reviraram os olhos e continuaram a dizer que se pegassem Marcos como dupla davam pulinhos de alegria. Duvidei disso. Óbvio que não iam fazer isso. Patético.
   Mas o que eu podia fazer? Eu tinha que fazer o trabalho, afinal. Era apenas para a próxima semana, mas eu combinei com ele que iríamos fazer aquele dia mesmo. Quanto antes melhor, pensei. Então eu marquei o trabalho na minha casa, não me incomodando o fato de só ele aparecer lá, pois a minha avó também estava lá. Preciso dizer que foi um grande erro?
   Minha avó ficou dizendo o quanto ele era bonito e quanto nós ficávamos lindos juntos. Como casal. Eu queria me dar um tiro, mas foi impossível, porque logo depois de fazer o trabalho sobre um poema de Camões, ele lembrou que eu me ofereci para mostrar a cidade, e me cobrou isso.
   Tentei inventar todas as desculpas possíveis, de que minha mãe não estava em casa, coisa e tal. Mas mais uma vez minha avó interferiu e disse que não tinha problema, que eu podia ir e ela avisava a minha mãe.
   Acho que no final do dia eu ia dormir e nunca mais acordar.
   Então, nós fomos.
   Ao parcão.
   Que fica praticamente do outro lado da cidade, e como nenhum de nós já pode dirigir, pegamos um ônibus. Ainda era cedo quando chegamos lá. O parcão é um ótimo lugar pra se passear com a família e com o namorado...
   Mas é claro que eu não estava pensando nisso.
Nós compramos pipoca, mas fiquei triste em saber que ela seria toda destinada aos patos do lago. Marcos parecia estar se divertindo muito, e de fato nós estávamos. Nos divertindo, quero dizer.
   Depois de um tempo caminhando nós sentamos em um banco, sobre a sombra de uma árvore e eu fui aos negócios.
   - Então... Quando você quer começar suas aulas?
   - Quando a Srta. Tutora estiver disponível. - ele disse sorrindo.
   - Ótimo. - falei. - Quinta-feira.
   - Ótimo. - concordou.
   - Mas... - continuei e ele fez uma cara de decepcionado. - Sem brincadeiras. Só química. Amigos, amigos. Negócios à parte. - completei e ele deu a maior gargalhada.
   - Fechado. - ele ergueu a mão para eu apertar. - São só negócios.
   Sorri. Com isso, nós caminhamos mais um tempo pelo parque e ele até me empurrou no balanço.
   Só coisas que os amigos fazem.
   Porém, foi difícil explicar isso à Elisa, mais tarde.
   - Ele pagou a pipoca?
   - Pagou, mas... - tentei falar.
   - Se ele pagou a sua pipoca não quer dizer que são só amigos.    
   - Não! Mas eu disse que...
   - Na, na, não. Admita, Clara. Você está caidinha por ele, e eu não te culpo. Sério. Ele é todo bonitinho.
   - Somos só amigos... - consegui falar.
   - É, mas ele pagou a sua pipoca. - eu sei, eu sei. Ela é patética.
   - Lisa, - disse. - quantas vezes eu não paguei uma pipoca pra você?
   - Isso é diferente! Eu não sou lésbica...
   - Nem eu!
   - Viu? - ah, Deus.
   - Vi o quê?
   - Você não é lésbica, está caidinha por ele! Admita, Clara, ele é bem melhor que seu ex.
   - É, verdade, mas...
   - Viiiu? - ela me interrompeu de novo.
   - É, é. Eu vi que nós somos apenas amigos. - falei rapidamente antes de ela me interromper novamente.
   - Eu também já vi esse filme... - patética. Mas o que eu posso fazer? Ela é minha amiga.
   Não adianta discutir com a Elisa, como vocês já devem ter percebido. Ela é uma cabeça dura cheia de cachos ruivos.
Como eu cheguei em casa tarde, minha mãe exigiu saber com quem eu estava e tudo que aconteceu. Preciso dizer que ela ficou muito empolgada por eu estar saindo com um menino que não seja o Tiago? Sim, ela conhecia o Tiago, e não gostava muito dele, para falar a verdade. Ficou feliz em saber que eu já estava saindo com outro. Mas isso foi o que a minha mãe falou. Eu deixei bem claro que nós éramos só amigos, mas ninguém parece entender isso. Por quê? Por que eu?
Realmente isso não era a minha sorte a qual Elisa se referia frequentemente. Se eu tivesse sorte, realmente? Eu estaria em uma das praias do Caribe, tomando sol com as minhas amigas, com garotos bonitos dispostos a ter um relacionamento sério.
   Eu sei, nem em sonho.
   Fala sério.
   E ainda acham que eu sou sortuda.
   Mas vocês não viram nada, ainda.

;e aaaí? não vão comentar? vou parar de postar :x

Postado por Daay D. às 19h54
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         Ainda Capítulo 2

- Maria Clara?

Eu fui abrindo os olhos com a cabeça voltando a doer. Eu percebi que o mundo não estava no eixo certo, pois ninguém me chama de Maria Clara. Só de Clara.

De primeira eu não reconheci de quem eram os olhos verdes que me olhavam com preocupação. Depois eu pude ver melhor. Marcos estava ali, segurando a minha cabeça. Aparentemente estávamos no chão, pois eu me sentia extremamente desconfortável. Foi como se tivessem batido com um bastão de beisebol na minha cabeça. Eu sentia tudo rodando. Marcos continuava me olhando, sem falar nada, como se soubesse que eu tinha que pensar no que aconteceu primeiro. Então eu vi que a bochecha dele estava vermelha, e não porque ele estava perto de mim, mas porque ele fora atingido por um soco de Tiago. Aquele imbecil, eu pensei.

- Você está bem? – ele finalmente perguntou.

Eu nunca havia desmaiado na vida. Não sabia ao certo se eu tinha desmaiado, mas sabia com certeza de que não estava muito bem. Logo no primeiro dia de aula já tinham acontecido coisas que nem em um ano aconteciam comigo. Primeiro o cara bonito, ao meu lado, depois o Tiago, todo carinhoso pedindo desculpas, depois os dois brigando por mim. Que garota nunca sonhou com dois caras lindos brigando por ela? Mesmo eu sabendo que os interesses de Marcos sejam apenas na química que eu vou explicar a ele. Ele devia estar me achando a mais fresca do mundo. Desmaiar? E depois, não conseguir se defender sozinha. Que tipo de menina é essa?

Eu me senti ruborizar e tentei levantar com a ajuda dele.

- O que aconteceu? – perguntei sentada, passando a mão pelos cabelos, que tinha certeza, estavam péssimos.

- Aparentemente seu namorado não ficou satisfeito em ser o ex. – ele respondeu rindo e depois eu percebi que havia um círculo de pessoas a nossa volta.

- Ele não é meu namorado. Não mais. – resmunguei baixinho.

- Eu te entendo perfeitamente. O cara é um idiota. – ele disse, aparentemente tentado arrancar um sorriso meu. E ele conseguiu, eu sorri e me levantei.

- Obrigada. – disse, encabulada.

- Não há de quê. – disse ele, gentilmente. E depois para todos que estavam em volta: - Ok, ok. Acabou o show. Ela está bem.

Devo dizer que isso me deixou mais envergonhada ainda? Meu Deus, o cara deu um soco num cara que ele nem conhecia, por mim. Depois ele ficou preocupado comigo. E agora parecia um herói. “Acabou o show!” Preciso dizer que eu achei que havia morrido e estava no céu?

As pessoas foram saindo, aos poucos, e voltando a fazer o que estavam fazendo antes de eu ser assediada sexualmente pelo meu ex-namorado. Pois é.

Só Elisa ficou e veio até mim.

- Meu Deus, Clara! – disse ela. – Você não comeu nada ontem e nem hoje? – ela perguntou em um tom maternal.

Não, eu realmente não tinha comido, nada além de chocolate. Mas como ela adivinhou?

- Não acredito nisso! Você deveria ter comido alguma coisa! – mas eu comi!, queria dizer, chocolate! Mas não disse, e ela continuou seu discurso. Percebendo que não tinha mais nada para fazer ali, Marcos foi saindo, de fininho. Mas não sem antes dar uma piscadela pra mim.

Ah, meu Deus! Eu queria me enfiar num buraco e nunca mais sair de lá! Como eu ia encarar o cara no resto da aula? Eu já estava muito embaraçada para um dia só. Concluí isso e pedi para a minha mãe vir me buscar no colégio, alegando que eu não estava me sentindo bem. E era verdade.

Não contei nada sobre o que havia acontecido mais cedo, não havia nada que ela pudesse fazer, afinal.

Eu queria ser uma mosquinha para ver o que aconteceria na aula depois que eu fui embora. Tiago e Marcos ficariam se fuzilando com o olhar? Ficariam brigando por mim? Eu sei, eu sei. Estava sonhando...

Mas o que eu poderia fazer? Resposta: nada. Minha mãe me mandou descansar, e eu fui, mas logo depois de ver um filme percebi que eu realmente não tinha nada pra fazer. Porém, eu estava me sentindo melhor com a tonelada de remédios que minha mãe tinha me dado, então eu decidi ir caminhar um pouco. Minha mãe tinha voltado ao trabalho, portanto não havia ninguém em casa, então eu pude sair. Minha casa é perto do calçadão, que dá vista pro rio. Então eu fiz um rabo-de-cavalo e fui caminhar. Junto do iPod, a melhor companhia que eu poderia ter agora, eu fui. Ao contrário da véspera, o dia estava lindo e quente, o que fez muitas pessoas saírem e caminharem naquela tarde.

Eu ia caminhando rápido, quando fui mudar de música no iPod que bati em alguma coisa. Ou melhor, em alguém. Adivinha.

- Ah, desculpe. – eu falei antes de ver que era Marcos. – Oi! – eu estava surpresa. Não, eu estava mais que surpresa. O cara estava me seguindo ou o quê?

Tirei os fones dos ouvidos e me senti ruborizar. Aqueles olhos verdes brilhavam a luz do sol.

- Oi! – disse surpreso. – Você não estava doente?

- Eu... Melhorei! – respondi rindo meio nervosa. – V-você mora aqui por perto? – perguntei com uma voz estranha.

Afinal, qual é? Por quê eu ficava assim com esse cara? Qual é o meu problema? Oh, e não diga que eu estou gostando dele, porque isso é estritamente uma grande mentira. A última coisa que eu quero agora é ter outro relacionamento. Já me basta o Tiago. Mais um eu acho que não agüento.

- Sim... Por aqui. – respondeu. – Quer sentar um pouco?

Mas eu posso ser aberta a amigos, não posso?

Nós nos sentamos em um dos vários bancos que ficam no calçadão de frente para o rio. Não vou mentir, nós parecíamos um casal que saiu pra caminhar sob os raios do sol. Essa não me parecia uma idéia muito ruim...

- Se acostumando na cidade? – eu puxei um assunto, porque ficou um silêncio tão grande entre nós que parecia que ia rolar um beijo. Não que fosse ruim...

- Sim! Achei ótima...

Marcos estava com um calção azul marinho e uma regata branca, que me deixava ver seus músculos. Seu cabelo estava arrepiado e bom... Ele me olhava encantadoramente.

- Sobre hoje de manhã... – eu comecei, não queria tocar no assunto, mas achei que devia uma desculpa. – Sinto muito...

- Não foi sua culpa. – ele disse rapidamente.

- Mas...

- Sério. – me interroupeu. – Se aquele cara é um idiota e não consegue entender as coisas, não é sua culpa. – eu não falei mais nada, então ele prosseguiu. – Desculpe, não sei se você gosta dele...

- Não! – eu neguei rapidamente. – É que ele é tão... Bom, esqueça. Obrigada, mesmo assim, por ter me “salvado”. – eu fiz aspas com os dedos e nós dois rimos.

- Disponha. – ele respondeu, por fim.

Nós ficamos um tempo olhando o sol, que aos poucos sumia e parecia entrar na água do rio.

- Ei, eu posso te mostrar a cidade, se quiser! – falei animadamente, já me sentindo mais confortável na presença dele.

- Eu adoraria! – respondeu. – Afinal, essa semana não vai ter muita coisa pra fazer, não é?

- É... Sabe, os professores só vão papear, mesmo. – eu concordei.

Depois de um tempo conversando sobre bobagens, eu levantei e disse que tinha que ir, porque não disse a minha mãe que iria sair de casa. Nós nos despedimos, e com um “A gente se vê por aí, se cuida.” ele virou e continuou a caminhar. Eu fiz a mesma coisa, pensando se estava delirando.

O cara era um sonho. Agradável, gentil e bonito. Por mais que eu tentasse não pensar desse jeito, eu meio que não conseguia. Eu não sou de me apaixonar por qualquer um, mas esse cara, não sei... Eu parecia mais segura perto dele. Ou talvez eu só estivesse delirando mesmo. Vai saber o que a gripe faz com as pessoas.

Postado por Daay D. às 13h19
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Capítulo 2

 

Não que eu não tenha olhado ele enquanto todo o restante da turma falava seu nome. Eu olhei sim, e digo: Ele é alto, moreno, forte e tem um lindo sorriso. Dava para ver que as chatinhas do outro canto da sala, onde Tiago também estava sentado, também ficaram secando o Marcos com os olhos. O Tiago, por outro lado, só me olhava com muita raiva nos olhos. Mas a única pessoa que tinha que estar com raiva ali, era EU. Pois EU peguei praticamente uma PNEUMONIA andando NA CHUVA dois quilômetros para poder voltar pra casa, depois de ver o MEU namorado beijando OUTRA. Que eu não conhecia, por sinal.

- Tem alguém aqui que é novo no colégio? – o professor perguntou, após todos já dizerem os seus nomes.

Notei que não havia mais ninguém novo na sala, só uma menina, mas ela já era um caso perdido, sendo que estava sentada com as gurias chatas do outro lado da sala.

Marcos ergueu a mão, dizendo que era novo, juntamente com a menina do outro lado, a qual eu não prestei atenção em qual era seu nome.

- De onde você veio? – o sôr perguntou ao Marcos, que respondeu, com uma voz extremamente sedosa e bonita que vinha de outro estado, do Paraná, para ser mais precisa.

Não que o Rio Grande do Sul não tenha homens bonitos, claro que tem, mas posso dizer que o Marcos foi um grande achado. Ele ainda estar na minha turma, sentar ao meu lado, e bom, sorrir pra mim, eu podia dizer que a minha sorte estava realmente tomando lugar.

Mas isso durou pouco, pois quando bateu o sinal para o outro período, Tiago veio até a minha mesa e começou a se desculpar e disse que realmente não queria me magoar, o que, estranhamente, fez Marcos rir. Ele não podia fingir que não escutava.

- Nós podemos discutir isso mais tarde? – perguntei sentindo um enjôo instantâneo, o que, percebi, fazia parte da minha gripe.

- Claro. – ele disse, voltando ao lugar com aqueles olhões azuis de bebê.

Para a minha surpresa, Marcos começou a rir ainda mais quando eu fiz uma careta na direção do Tiago.

- O que foi? – perguntei.

- Nada, só estou vendo como você é carinhosa com seu namorado. – ele disse com aquele sorriso lindo, que fez meu coração disparar.

- Ele não é mais meu namorado. - eu respondi não me sentindo bem com o assunto.

- Você está doente? – ele perguntou e eu ergui as sobrancelhas.

- Está tão na cara assim? – perguntei e vi que algumas pessoas ali atrás, digo, minhas amigas, ouviam a conversa atentamente.

- Não, eu só deduzi como você está com um péssimo humor e o rosto vermelho. – disse.

Depois disso devo ter ficado mais vermelha ainda, mas pedi a Deus que ele não notasse. Meu coração batia forte no peito. Ele não parou por aí.

- Clara, não é? – perguntou passando a mão pelos cabelos e bagunçando eles um pouco.

- É Maria Clara. – Elisa se inclinou para frente e se meteu no assunto.

Eu juro que estava a ponto de pular nela por ela ter aberto a boca. Fato que eu não consegui fazer, por alguma razão.

- Maria Clara. – ele disse em tom casual, me olhando atentamente com os olhos verdes.

- É, mas me chame só de Clara. – eu consegui falar, e neste momento o professor de biologia entrou na sala.

E foi tudo a mesma história de novo.

Tirando que sempre que podia Marcos se virava e falava comigo. Ele se mostrou um cara bem agradável e inteligente. Só disse que teria dificuldade em Química, porque, ele explicou, no seu antigo colégio não tinha e ele estava atrasado em relação a nós. Ele disse que provavelmente precisaria de um tutor, e foi aí que eu disse:

- Eu sou tutora!

 Ele ergueu as sobrancelhas, parecendo desconfiado.

- Jura?

- É... Eu posso te ajudar... É... Se você quiser. – as palavras saíram da minha boca, mas eu não tive a intenção de dizê-las. Foi automático.

Então quando eu vi, ele já estava concordando:

- Ótimo. – com um sorriso triunfante no rosto.

Elisa me olhou interrogativamente, mas eu não sabia o que dizer. E que papo foi aquele que ele disse que eu estava mal humorada? Eu não acredito que o cara disse aquilo. Digo, ele nem me conhece! E deduziu que Tiago era meu namorado... Talvez ele tivesse uma bola de cristal.

Eu estava comentando isso no recreio com as meninas, quando de repente um braço muito forte me puxou de onde eu estava sentada.

- Ei! – gritei, assustada. Mas depois vi que era só o Tiago, dando um ataque de ciúmes no meio do refeitório. – Me larga! – eu pedi, o aperto dele no meu braço era forte.

Ele não disse nada, só ficou me olhando e depois começou a me puxar em direção à um canto menos movimentado. Mas eu não estava disposta a ir a nenhum canto com aquele cara. Para mim, ele já tinha se tornado uma persorna non grata.

- Me larga! – eu gritei de novo, atraindo a atenção de algumas pessoas que estavam por ali.

Não tive chance de um dar um tapa nele. Tiago estava me segurando muito forte e parecia não me ouvir. Parecia também não se importar que todo o colégio estivesse parado nos olhando. Enquanto ele me arrastava contra a minha vontade, e ninguém, nem uma alma, fazia algo contra aquilo.

Então, foi questão de um segundo, que eu vi Marcos saindo do meio da multidão, ele disse algo como “solta ela!” e pum! Deu um soco na cara de Tiago. Ele voou longe, me soltando e depois de se recuperar partiu pra cima de Marcos. Eu senti um enjôo, devido estar de barriga vazia há tanto tempo, minha cabeça latejando, e então eu não vi mais nada.

 


N/D: e aí? gostando? comentem! *-* esse não é o cápítulo 2 inteiro porque não coube aqui, daí eu posto já posto o resto :*

Postado por Daay D. às 13h18
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Pura Sorte

            Capítulo 1

 

A lua cheia iluminava a Rua das Parreiras, onde os postes de luz estavam apagados – quando deviam estar bem acesos – e único barulho que eu podia ouvir era o da festa que eu havia deixado. Era, provavelmente, umas duas horas da manhã, e eu estava rezando para encontrar meu celular nos bolsos. Não. Mesmo com a chuva que vinha caindo eu continuei a caminhar pela rua deserta e sem iluminação. Eu sabia que assim que chegasse em casa, meu pai ia cair em cima de mim e me bombardear de perguntas – a maior parte delas retóricas, do tipo: Eu não falei para você que NÃO era pra sair hoje? -, mas a idiota aqui achou que poderia pular a janela do quarto sem ninguém perceber – ninguém realmente percebeu – mas, infelizmente meu pai tinha que me acordar às três horas da matina – imagina só – pra tomar um remédio. Aquele remédio ruim que evita que eu fique gripada. Pois bem... Agora sim eu teria um motivo para tomar aquela porcaria.

Eu estava encharcada. Em dez metros de caminhada na chuva eu já estava encharcada, sem contar que são uns dois quilômetros da casa do Tiago até a minha. Ah, o Tiago! Aquele que era supostamente para estar me levando para casa agora, mas não, ele estava lá, se agarrando com OUTRA na MINHA FRENTE.

Para você ver, eu tinha um motivo bem grande e gordo pra sair furiosa daquela festa. E eu estava realmente furiosa. Eu podia pular na jugular de qualquer pessoa que passasse na rua. Era meu último sábado de férias, então eu resolvi contrariar meu pai e ir até aquela festa idiota do meu ex-namorado. Eu já fui apaixonada pelo Tiago, claro, mas foi até ver o péssimo namorado que ele conseguia ser. Você pode dizer que é tremendamente improvável que eu, podemos colocar assim, impopular no colégio, tenha namorado, ainda que por pouco tempo, um cara que nem o Tiago. Não, ele não é nada de super inteligente ou super agradável. Não, ele só faz aquele tipo bonitinho dos olhos azuis e é extremamente burro em certas coisas. Ok, em quase tudo. Mas isso – digo, esse namoro – começou quando me pediram para ser a tutora dele, no ano passado. Ah, eu sei o que você vai falar. Uma tutora com o cara bonitinho? Pois é. Bom, eu estava dando aulas a ele de português, para o cara conseguir passar de ano, e então ele me convidou pra sair.

Assim, do nada. Eu fiquei bem chocada, se você quer saber. Porque eu pensei que ele nem sabia o meu nome – e ele só descobriu isso na primeira aula da tutoria -, mas não importa mais. Bom, para encurtar a história, nós começamos a namorar. Certo, ele não era o cara perfeito com quem eu sempre me via nos meus sonhos, mas pelo menos era alguém com quem eu podia estar... E então passei a maior parte das férias de verão com ele. Mas aos poucos – e de modo difícil – fui percebendo que ele realmente não era pra mim. Não era o que eu queria. Poxa, o cara estava beijando outra, agorinha, na minha frente! Então eu saí de lá o mais rápido possível, não antes de dar um tapão na cara dele - que estalou meus dedos - e dizer que tudo acabou. É claro que ele fez uma ceninha dizendo que eu era ciumenta demais. Ah, fala sério, eu tenho razões pra ser ciumenta.

Então, ali estava eu, com o meu tênis totalmente arruinado, devido à uma poça muito grande que eu não vi quando passei. Você já deve ter descoberto. Eu não sou a pessoa com mais sorte no mundo. Mas tanto faz, eu nem acredito em sorte.

Depois de uma longa caminhada na chuva eu cheguei em casa, completamente apavorada de alguém acordar e me ver naquele estado. Eu entrei pela janela do meu quarto, que não é difícil de se entrar devido a grande árvore ao lado dela. Aquela árvore que eu sempre escalava brincando com a Elisa. Bom, foi entrar no quarto, e fui direto ao banheiro porque estava molhando tudo ao redor. Eu estava morrendo de frio naquelas roupas encharcadas. As duas horas da manhã na rua – mesmo que verão – não são muito quentes. Eu joguei todas as roupas molhadas no chão, não sabia ainda o que fazer com elas, e constatei, pelo meu relógio de cabeceira que eu só tinha dez minutos pra tomar um banho quente e tentar secar meu cabelo.

Foi uma correria, morri de medo de que alguém acordasse com o barulho do chuveiro. Mas enfim consegui deitar no último segundo antes de meu pai entrar no meu quarto, todo sonolento. Fingi que estava dormindo, deixei que ele me “acordasse”, tomei o remédio e ele saiu sem perceber o meu cabelo molhado. Consegui, afinal.

Então eu dormi. Profundamente.

 

Acordei com o sol que entrava pelas frestas da minha janela. Olhei o relógio e vi que já eram onze horas. Ei, não me olhe assim, era o último dia das férias, eu tinha que aproveitar.

Não foi surpresa que eu acordara com uma tremenda dor de garganta e de cabeça. Parece que meu último dia de férias, afinal, ia ser na companhia do cobertor e da tevê. Não que eu me importasse muito com isso. Eu queria mesmo ficar um pouco em casa.

Levantei da cama cambaleando, abri a janela, por onde entrou um grande sol, e botei minhas roupas da noite passada pra secar. Só para minha mãe não perguntar o que eu fiz para elas estarem tão molhadas. Minha cabeça parecia que ia explodir em cada passo que eu dava. Parece que o remedinho não funcionou, afinal.

- Bom dia! – minha mãe disse enquanto eu ia descendo as escadas e dava de cara com meu pai e minha mãe vendo algum documentário na tevê.

- Pronta para o ensino médio amanhã? – meu pai perguntou todo animado com a única filha dele crescendo e indo para o ensino médio. Fala sério. Ele deve ter visto a minha careta, porque perguntou: - Clara, você está bem?

Eu não respondi de imediato, então minha mãe veio até mim, no final da escada e segurou meu rosto com as duas mãos.

- Você está ardendo em febre, minha filha! – ah, como se não bastasse a dor de garganta e de cabeça. O pessoal aí de cima deve realmente gostar de mim. – Vou pegar um comprimido pra você! – ela disse então, correndo para a cozinha.

Como filha única meus pais se preocupam demais comigo, mas eu não os culpo. Meu pai abandonou o documentário e olhou sério pra mim. Ele me conhece, podia ler na minha testa que eu saí ontem à noite e peguei a maior gripe por ter andado dois quilômetros na chuva. Se ele descobriu ou não isso, eu não fiquei sabendo, pois ele me mandou voltar para a cama, e depois ele levava alguma coisa para eu comer, mesmo que eu não estivesse com a mínima fome.

Eu voltei à cama, mas não dormi. Liguei a tevê e vi desenhos animados. Ei, domingo de manhã é só isso que passa na tevê. Não me culpe. Eu até gosto de ver Três Espiãs Demais!

Depois do almoço, que eu não comi quase nada – na verdade eu não comi NADA mesmo, eu dei a maior parte ao meu gato, mas meus pais não ficaram sabendo –, minha mãe chamou a Elisa para vir me visitar e assistir algum filme comigo. Quando ela chegou ao meu quarto eu sabia que estava péssima, só pelo seu comentário:

- Meu Deus, Clara! O que aconteceu com você? – então ela se sentou na poltrona ao lado da minha cama, porque eu estava ocupando toda ela.

- Está tão ruim assim? – perguntei passando a mão pelo rosto.

- Está. – ela continuou. – Mas o que você fez pra pegar essa gripe de repente, guria? As aulas começam amanhã!

Eu fiz uma careta e sentei na cama, ficar deitada só piorava minha dor de cabeça. Então eu contei à Elisa tudo que aconteceu na noite passada. Se eu não conhecesse bem ela, diria que ela iria pular em cima de mim a qualquer hora e me esganar, porque desde o começo, ela me disse que o Tiago não prestava. Mas eu estava muito apaixonada pra ouvir alguém, mesmo que esse alguém seja minha amiga desde as fraldas.

- Eu sei o que você vai falar. – eu disse desanimada. – E nem precisa, pois eu já saquei. – concluí.

- Não vou falar nada. – disse ela mostrando os três dedos erguidos. – Palavra de escoteiro. – Elisa faz esse gesto muitas vezes, mas eu sei bem que ela nunca foi escoteira. – Mas dá pra mudar de canal, Clara? Vamos ver um filme, pelo amor de Deus.

Então o dia inteiro eu fiquei na cama, rezando para acordar sem as olheiras e a dor de cabeça no dia seguinte, mas não adiantou muito. Ver Titanic na véspera das aulas, comendo chocolate, e claro, chorando feito um bebê não melhora suas condições de aparecer bem no primeiro dia de aula. Tenho certeza que Tiago ia olhar para mim e começar a rir da minha cara, pois ele iria concluir que minhas olheiras seriam porque eu estava chorando por ele. Mas nós sabemos que isso não acontecera, algo que eu deixei bem claro no primeiro minuto em que nós nos encontramos, quando ele veio todo carinhoso dizendo que sentia muito e que isso nunca iria se repetir. Mas eu sabia que não.

- Não, não vai se repetir, pois eu já cansei de você! Acabou! – foi o que eu disse para ele, e para todo o pessoal que estava entrando na sala de aula no primeiro período da manhã.

Eu acabei sentando sozinha, pois as gurias “esqueceram” de combinar com quem eu ia sentar por causa da minha gripe. Fiquei encostada na parede, onde do meu lado havia uma classe vazia. Foi quando o sinal bateu e o professor entrou. O primeiro dia de aula, todo mundo sabe, nenhum dos professores dá realmente aula. Eles ficam contando episódios engraçados das suas vidas, ou, os professores chatos, falam que se você não entregar um tema, terá de fazer um trabalho de duas páginas sobre sei-lá-o-quê.

E claro, o primeiro dia de aula se resume a conhecer os novos alunos, aqueles que aparentam ansiedade por estarem em um colégio totalmente novo com pessoas totalmente desconhecidas.

Esse seria um primeiro dia de aula totalmente normal, se um cara novo, totalmente lindo, não sentasse ao meu lado. Era a única opção dele, na verdade. Chegou atrasado e pediu mil desculpas ao professor de história. Então se acomodou à classe ao lado da minha e sorriu para mim, que fiquei ali, sorrindo de volta que nem uma boba. Não me culpe, eu estava extremamente transtornada com a minha dor de cabeça que insistia em me deixar meio tonta.

- Tudo bem, agora vão falando seus nomes, pra eu conhecer todos. – o professor disse, e em ordem cada um foi dizendo seu nome. Os professores do ensino médio não são os mesmos do ensino fundamental, então o professor de história não conhecia ninguém.

Então todos foram falando, e depois de mim, que disse “Clara” ou invés de “Maria Clara”, que seria meu nome, o bonitinho do meu lado disse “Marcos”. E foi assim que eu fiquei sabendo o seu nome.

Postado por Daay D. às 16h17
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Clara é uma adolescente completamente azarada e desastrada que não acredita nesse papo de sorte. Quando um novo garoto chega na cidade e no mesmo colégio dela, as coisas parecem tomar um rumo diferente, e Clara terá que rever essa coisa toda de sorte e azar!

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Eu nunca fui do tipo que você chamaria de sortuda, sempre tropeçando por aí em círculos. Mas eu devo ter tropeçado em algo... Eu estou mesmo sozinha com você? Eu acordo sentindo que minha vida vale ser vivida, não consigo me lembrar da última vez que me senti assim. Agora quem iria pensar que alguém como você poderia me amar? Você é a última coisa que meu coração esperava. Quem iria pensar que eu algum dia encontraria alguém que me faz sentir assim? Alguns corações só dão sorte às vezes.

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A Autora: Daay D.

Sou uma menina de quinze anos que ainda acredita em contos de fadas, que gosta de ouvir música no último volume, que não vive sem as amigas, que adora incomodar as irmãs menores, que quer fazer faculdade de jornalismo, publicidade ou psicologia, que é indecisa – graças à mãe-, que é de lua, que se irrita fácil, que não gosta de nada que tenha matemática, que é fascinada pelos livros. Sou uma menina que não acredita em sorte, que quer escrever seu livro, que é viciada em chocolate, que não pode nem ver filme de terror de tão medrosa, que adora ver TV, que odeia estudar, mas estuda. Sou uma menina que quer viajar pelo mundo inteiro, conhecer gente nova e fazer compras, que sonha com seu príncipe encantado, que precisa conhecer, pelo menos, algum dos seus ídolos, para não pensar que há um complô lá em cima contra ela. Sou uma menina careta que quer muito ir para o Caribe com as amigas, ficar moreninha, beijar uns marinheiros gatchenhos e nadar naquela água transparente. Sou uma menina que acredita demais no amor. No único e verdadeiro amor. Aquele para a vida toda. Dayanne, prazer :) Pode me chamar de Day.

Contato: dayds_@hotmail.com

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