obs: penúltimo capítulo. me deixem orgulhosa e comentem bastante :D visitemo o blog: www.queroserescritora.zip.net ! postei uma fic de Crepúsculo! acho que vcs vão gostar :D
beijos chicas :*
Capítulo 11
Eu desci as escadas de pantufa e de pijama, com o cabelo desarrumado e cara de braba. Abri a porta e ali estava aquela figura perfeita do Malkin. Sempre tão lindo.
Eu botei as mãos na cintura e fiquei olhando para ele. Eu não ia falar nada. Ele que veio bater na minha porta. Ele que fale.
- Posso entrar? - ele perguntou com as mãos nos bolsos e uma aparência cansada, mas não menos linda.
Eu, ainda com cara amarrada, deixei a passagem livre, sem falar nada, e ele entrou.
Ainda bem que meus pais não estavam em casa.
Fomos para a sala e eu sentei na poltrona. Marcos se sentou no sofá, de frente pra mim.
- Olha só, Clara... - ele começou, e eu estava escutando. Decidi ser madura em relação a isso. Eu não ia gritar, nem fazer escândalo. Eu ia ouvir e botar ele para fora. Já estava decidido. - O que aconteceu entre mim e a Tess foi um grande erro... - ele viu que minha expressão não mudou, botou o rosto nas mãos. Me deu uma pena nessa hora. - Foi só um beijo... Não significou nada...
- Um beijo sempre significa alguma coisa. - eu disse baixinho, mas sei que ele escutou.
Marcos me olhou atentamente. Aqueles olhos verdes estavam pedindo o meu perdão, e foi por um triz que eu não corri até ele e o beijei. O seu perfume já tinha se expandido pela sala inteira. Era como se ele tivesse apelando para o desejo.
- Desculpa! Desculpa, Maria Clara. Eu nem sei o que eu estava pensando...
- Quando foi? - perguntei. Não podia deixar de perguntar.
- Um dia depois do ensaio. Ela e eu ficamos ali conversando, e quando eu vi, ela veio para cima de mim. - ele sacudiu a cabeça. - Eu sei que a culpa também é minha, mas...
Nessa hora eu ouvi meus pais conversando e a porta da frente se abrindo.
- Ah, não! - reclamei. Meus pais não podiam me ver sozinha em casa com Marcos. Mesmo que à metros de distancia.
- O que? - ele perguntou, confuso.
Eu levantei e o puxei pelo braço em direção à cozinha.
- Você tem que ir. - disse eu, abrindo a porta dos fundos.
- Clara? Voltamos. - minha mãe anunciou lá da sala.
- Por quê? - perguntou ele.
- Só vai! - eu disse e o empurrei para fora.
Um instante depois minha mãe adentrou a cozinha.
- Que está fazendo aí? - perguntou ela.
- Nada, mãe! - falei rapidamente. - Mas por que já voltaram? - perguntei e fomos saindo da cozinha.
- Ah, você sabe. Seu pai está cada vez mais preguiçoso. Caminhamos um pouquinho e ele já cansou... - ela foi tagarelando enquanto eu checava para ter certeza que ele fora embora
No domingo ele não apareceu e nem ligou.
Na segunda-feira nos encontramos na entrada do colégio. Infelizmente chegamos na mesma hora.
- Nós temos que conversar. - ele disse assim que me viu.
- Eu acho que não temos nada para conversar. - eu disse. E realmente eu não tinha nada para falar. E não sei se estava pronta para perdoá-lo. Até porque, eu nem sei bem o que aconteceu. Talvez não tenha sido só um beijo, talvez tenha tido mais beijos. Talvez Marcos nunca tenha realmente gostado de mim. Talvez eu seja uma idiota, mesmo.
- Eu preciso te explicar o que aconteceu. - ele disse de frente para mim, com aqueles olhos, e aqueles lábios, e aquele perfume inebriante.
Eu não fiz nada além de concordar com a cabeça. Fomos para a biblioteca, e mesmo eu sendo muito contra, matamos o primeiro período para conversar. Sem dúvida eu estava morta se nos vissem ali. Primeiro agressão à coleguinha, depois pega matando aula na biblioteca. Sem dúvida eu ia ser punida.
- Explique. - eu disse quando nos sentamos frente a frente em uma das mesas.
Nem sei porque estava sendo tão boba com aquilo tudo. Fazendo tempestade em copo d'água, como diz a minha avó. Mas é que, sei lá, mesmo que tenha sido só um beijo, eu me sinto traída.
Preciso de um psicólogo?
Eu acho que eu preciso de um psicólogo.
- Ah, quer saber? - eu o interrompi mesmo antes de começar. - Não precisa explicar nada. Você não me deve satisfações nem nada disso. Você tem o direito de fazer o que quiser, quando quiser, afinal, você não é minha propriedade nem nada. E eu entendo que nós só temos quinze anos e que é cedo demais para um relacionamento de longo prazo. Eu não te culpo, sério. É que talvez eu tenha botado todo meu ideal de homem perfeito em você e foi um choque descobrir que você não era perfeito. - quando estou braba falo demais. Falo coisas sem sentido. Falo demais. - Acho melhor continuarmos como se nada tivesse acontecido. Digo, nada. Desde o inicio. Só amigos. - eu levantei abruptamente. - Desculpe.
E saí correndo da biblioteca, chorando. Por que eu estava chorando? Como eu sou idiota. É que, aceitando ou não, eu estava gostando muito dele. Gostando demais dele.
Naquela mesma tarde Marcos apareceu lá em casa de novo. Eu achei que já tinha ficado claro o meu ponto de vista. Eu não queria que ele se explicasse, não queria falar no assunto, mas parece que ele ainda não captou.
- O que você quer? - perguntei ríspida.
- Belas pantufas. - ele disse sorrindo como eu não o via sorrir a algum tempo. - Eu pensei no que você disse hoje de manhã.
- Pensou, é?
Nós sentamos no sofá da sala. Minha avó estava na cozinha, e eu tinha certeza que ela podia ouvir tudo que falávamos.
- Cheguei a uma conclusão. - ele disse, me olhando.
Meu coração acelerou como na primeira vez que ele me beijou. Eu não via outra saída a não ser escutar o que ele tinha para dizer. E isso estava me deixando nervosa. E se ele concordasse comigo? Digo, se ele concordasse que esse relacionamento não iria para frente? Eu não queria que ele concordasse comigo!
- Diga. - falei tentando não tremer a voz.
- Nós passamos ótimos tempos juntos... - eu concordei com a cabeça. - Você é a garota mais engraçada e desastrada que eu já conheci... - eu não pude deixar de sorrir nessa hora. - Eu simplesmente adorei te ter como namorada, e não concordo com você quando disse que eu não te devo satisfações, porque eu te devo sim. Afinal, você ainda é minha namorada. - ele chegou mais perto no sofá. - Não me lembro de termos terminado, e com isso, eu te digo que a oxigenada - ele imitou minha voz perfeitamente - da Tess que me beijou, mas é só você que eu quero. E, aqui entre nós, ela beija muito mal. - ele disse sorrindo e eu ri. A alegria começava a crescer em mim. Meus olhos já estavam cheios d'água.
- Por que, Marcos? - eu perguntei. - Porque você quer essa garota desastrada e totalmente desprovida de sorte?
Ele sorriu e limpou uma lágrima que caiu do meu olho.
- Porque essa garota é a minha desastrada e desprovida de sorte. Porque desde o primeiro momento eu soube que era você a tal. E acredite ou não, os homens também querem encontrar a companheira ideal. - ele disse de uma forma carinhosa.
Eu não conseguia acreditar que isso estava acontecendo. Quero dizer, garotos de quinze anos não pensam só naquilo?
Acho que não.
O problema é que nós, meninas, rotulamos todos os tipos de garotos, e não dá para ser assim. Cada um é cada um. Alguns mais maduros, outros mais infantis.
- Maria Clara? - ele me tirou dos meus pensamentos. Eu acho que era a hora de eu falar.
Ou beijar. Acho que beijar é melhor. Então eu me aproximei e o beijei. Foi o melhor beijo. Agora eu acredito que os beijos de reconciliações são os melhores.
- Você está totalmente certo. - eu disse quando nos separamos. - Um simples beijo não vai nos separar. Ainda mais um beijo ruim. - eu disse e nós rimos.
Eu ouvi minha avó fungando na cozinha. Sem dúvida ela estava ouvindo tudinho.
- É sua avó? - ele me perguntou baixinho. Eu sorri e concordei com a cabeça. - Pelo menos ela já gosta de mim.
- Ei! Não seja convencido. Quem disse que ela gosta de você?
- Eu gosto! - ouvi minha avó berrar lá da cozinha. Eu tapei o rosto com as mãos e Marcos caiu na gargalhada.
- Agora você só precisa conquistar os meus pais. - disse eu, sorrindo e dando mais um beijo nele.
- Isso vai ser fácil. - ele deu aquela piscadela marota e beijou de novo.
Postado por Daay D. às 18h37
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desculpem a demora! estava viajando :x FELIIIZ NATAL, GENTE :D beijos ;*
Capítulo 10
O primeiro trimestre passou rapidamente e eu estava cada dia mais apaixonada por Marcos. E cada vez estudando menos. Mas não que isso importe. As minhas notas até que estavam razoáveis.
Eu já estava ciente de que amava ele - meu primeiro amor, gente - mas ainda não havíamos pronunciado a palavra com 'a'. É claro que eu queria falar, mas meu medo de que ele não falasse de volta não deixava. Então eu sempre ficava de boca fechada. Estávamos há quase três meses juntos e os ensaios para a peça Romeu e Julieta estavam cada vez melhores. Teresa, aparentemente, não tinha feito nada contra mim e Marcos, como tinha ameaçado, mas ela ainda me olhava ameaçadoramente. Ciúmes, eu pensava, e Elisa estava de acordo comigo. Até um dia, no ensaio da sexta-feira, a última sexta do trimestre, quando ela ficou me encarando o tempo todo. Ela sorria como se estivesse achando muita graça de alguma coisa. Eu não me preocupei, a princípio. Piada interna, pensei. Mas quando Marcos começou a olhar para ela também, e a tropeçar nas palavras eu quase pirei. Estava certa que tinha alguma coisa ali. Puxei Lisa para o banheiro e disse tudo que estava acontecendo.
- Nada está acontecendo, Clara! - ela disse, rindo de mim. Ah, sim. Sou a piada do século. - Ela só quer fazer você pensar que está acontecendo algo.
- Mas faz três meses! - reclamei. - E ela deixou bem claro que ia fazer alguma coisa!
Lisa suspirou e botou as mãos nos meus ombros.
- Ela só está com inveja de você. E você não devia se preocupar com isso. Toda garota de quinze anos deve ter inveja de você, Clara. Até eu. - ela disse.
Eu fiquei confusa.
- Por quê?
- Ora, Clara! Você tem um namorado que toda garota de quinze anos sonha em ter! Ele é lindo e realmente gosta de você. - disse. - Ele é mais maduro do que esses outros caras. Sério. Os caras dessa idade só costumam pensar naquilo.
- Quem te disse que ele não pensa? - eu disse rindo e Lisa levantou uma sobrancelha.
- Olha lá hein, guria! Não quero ser madrinha de criança tão cedo. - ela disse séria, mas eu sabia que estava brincando.
Eu esqueci esse assunto com o passar do tempo. Mas Teresa não parava de me dar indiretas e olhar para Marcos. Isso estava me irritando, e a qualquer momento eu explodiria. Ou Marcos me explicava direitinho o que estava acontecendo ou eu pulava naquela piranha e... Bom, não existiria mais piranha nenhuma. Nem umazinha.
E aquela tarde foi a gota d'água. Estávamos na aula de educação física, jogando vôlei, quando Teresa mandou uma bola direto na parte detrás da minha cabeça. E ela era do meu time.
- Qual é o seu problema? - eu gritei para ela. Não estava nos meus melhores dias. Contando que a TPM não ajudava. Simplificando, eu estava irritadíssima e estava precisando botar para fora. No sentido figurado.
Eu peguei a bola nas mãos, encarei Teresa e todos ficaram em silêncio, esperando o barraco.
- Oh, desculpe, Clarinha. - ela disse com um ar de 'foi sem querer querendo'. Óbvio que foi de propósito. Eu nem tinha dúvidas. - Pensei que você já estava acostumada com esse peso na sua cabeça. - de cara eu não entendi, mas depois eu vi que ela estava me chamando de chifruda. O que quer dizer que Marcos, o meu namorado, estava me traindo. Com ela. Com aquela piranha oxigenada! E tudo estava muito claro. De repente todas as indiretas e os olhares faziam sentido.
Ele estava no outro lado da rede, e eu desviei meus olhos um instante para ver sua expressão. Ele estava em silêncio, como todos os outros, olhando para mim. Os olhos alarmados e preocupados, sem brilho. Não restava dúvida. Ele e Teresa estavam tendo alguma coisa, claramente.
Minha expressão deve ter mudado muito quando eu voltei a olhar para Teresa, pois Elisa veio correndo para o meu lado e me segurou pelo braço esquerdo.
- Você não precisa fazer isto. Você é melhor que eles. - ótimo. Então ela também já tinha entendido. Todo mundo já tinha entendido. Menos eu. A pateta que pensou que já tinha achado o amor da sua vida.
De certa forma, até que Lisa estava certa. Eu sou melhor que eles, mas não podia deixar assim. Então eu me soltei de Elisa, dei dois passos na direção de Teresa - que sorria debilmente -, joguei a bola pra cima e bati com toda a minha força. A bola voou direto no alvo. Teresa cambaleou para trás e caiu de bunda no chão, assustada pela bolada no rosto, que ficou vermelho, a propósito. Pelo menos ela ia se lembrar de mim quando se olhasse no espelho.
O barraco já fora longe o suficiente quando a professora interrompeu e me mandou à diretoria, levando Teresa para se sentar. Logo o bando de amiguinhas dela estavam ao seu redor, e não restou ninguém na quadra, a não ser eu, Marcos e Elisa, que estava ao meu lado. Eu não olhei para ele quando passei, mas pela visão periférica eu o via olhando para mim. Elisa tentou me acompanhar, mas eu disse que estava bem, e segui caminhando de cabeça baixa até a diretoria.
Não demorou para as lágrimas chegarem, e antes de entrar na sala da diretora eu corri para o banheiro e me tranquei lá. Não saí até ter certeza de que não choraria de novo. Fiquei, pelo menos, uma hora lá, chorando e chorando. Por fim, saí e fui direto para casa, a pé. Só descobririam que eu não fui à diretoria na segunda-feira, mas eu não estava preocupada com isso. Cheguei em casa quase quatro horas da tarde. Fui tomar banho e depois deitei na cama com o Puffy e chorei mais um pouco.
Eu não sabia o que tinha acontecido entre os dois, mas ficou claro que algo aconteceu. E o pior é que ele nem ao menos tentou falar comigo! Nem veio se explicar. Eu estava puta da vida. Muito puta mesmo.
Foi no outro dia de tarde que Elisa me ligou.
- Ele falou comigo. Disse que queria te dar um tempo. - ela disse. - E me contou toda a história. Disse que foi só um beijo e que foi ela quem beijou ele.
- Acho que não existe beijo só com uma pessoa. - disse eu, sarcástica.
- É verdade, mas Clara, vamos lá! Ele te adora! Foi só um escorregão, ele é homem, poxa.
- Agora você vai defendê-lo, Lisa? - perguntei, incrédula.
- Não estou defendendo ninguém! Só estou vendo os dois lados. E você sabe como é a Teresa. Garanto que foi ela que o beijou, mesmo.
- Suponhamos que fosse, - disse. - ele teve que dar a oportunidade para que isso acontecesse...
- Ele errou, Clara! Todo mundo era, ok? Vê se põe isso na sua cabecinha. - ela disse bem grossa, se você quer saber.
- Ok, ok! Mas eu já deveria saber...
- Deveria?
- É essa grande sorte que eu tenho. - falei irônica. - Viu como ela é GRANDE?
Lisa riu do outro lado da linha.
- Você e sua má sorte, né?
- É. Eu e ela. Inseparáveis. - disse eu brincando e rindo também. Já estava acostumada às armações da minha má sorte. Falta de sorte. Azar. Ah, tanto faz. Só que, sei lá. Eu pensei que dessa vez eu estava ficando mais sortuda, com o Marcos e tudo o mais.
Fui iludida, novamente.
Nesse sábado eu aproveitei para botar a matéria de física em dia. Estava no meio de um problema quando meu celular tocou pela segunda vez naquela tarde. A fim de não me perder na física eu nem peguei o celular. Não queria falar com ninguém mesmo. Já tinha falado tudo que queria falar com Elisa. Logo meu celular parou de tocar e o telefone de casa começou. Eu não atendi, mas minha mãe atendeu lá em baixo.
- Clara! Telefone para você! - ela gritou lá de baixo.
- Diz que eu 'tô no banho! Não quero falar com ninguém. - gritei de volta.
- Pode ser importante! - disse ela.
- Não é! - afirmei e voltei à física.
Uma meia hora mais tarde, depois de meus pais saírem para caminhar no calçadão - estava um lindo dia de sol - a campainha tocou. Eu bufei de raiva. Será que não podiam me deixar em paz?
Postado por Daay D. às 20h35
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Capítulo 9
- Teresa? - eu perguntei, e automaticamente minhas sobrancelhas subiram.
- Tess. - ela corrigiu rapidamente. Eu devia ser a única pessoa ainda viva que a chamava de Teresa. Ela claramente odiava o nome. - Eu estava por aí, e resolvi te fazer uma visitinha. - ela disse, entrando na casa, passando por mim e por Lisa, estupefata no meu lado.
Ela caminhou até a sala, e eu e Lisa ficamos para trás. Ela me lançou um olhar de interrogação.
- O que você quer que eu faça? - perguntei baixinho, então fomos à sala, onde ela estava de pé de um lado para o outro olhando tudo à volta.
- Fiquei sabendo que está saindo com o Marcos, Clara. - ela disse com aquela vozinha que me irrita tanto.
- É, estou. - disse, curta e grossa. Porque fingir que nos damos bem? Eu não sou como ela.
- Ele é bem bonito... - disse, agora me encarando.
- Obrigada.
- Nossa. Já agradecendo por ele. As coisas estão firmes, não estão? - perguntou, então, com aquele olhar irônico.
- E o que interessa a você? - argumentei, cruzando os braços e perdendo a paciência.
- Eu estava é interessada nele. - respondeu calmamente. Eu não pulei na garganta dela porque Lisa segurou meu braço. - Um pouco de concorrência pode ser bom, não acha? - ela veio pra mais perto de mim. Meus olhos não saiam dos dela, azul escuro, por causa das lentes de contato.
- Vá em frente. - Elisa disse, dando um passo à frente. - Ele ama ela.
Eu me encorajei com essa afirmação. É claro que ele nunca tinha dito que me amava, e nem vice-versa, e eu nem estava preocupada com isso, pois nos conhecíamos a apenas uma semana. Era cedo demais para mencionar a palavra com 'a' - apesar de eu ter certeza que já estava amando ele há muito tempo.
Os olhos de Teresa se desviaram para Elisa.
- Se você tem tanta certeza, não faz mal testar esse amor, não é? - então ela sorriu e caminhou até a porta.
- Vá em frente. - eu disse. - Marcos não gosta de oxigenadas. - terminei e ri.
Pude ouvir ela bufar da porta da frente e em seguida o estrondo da porta.
Eu e Lisa caímos na gargalhada - e no sofá.
- Ela parecia bem convencida. - eu disse depois de pensar um pouco.
- Ela não é nada comparada a você. Nem esquenta. - Lisa disse.
- Espero que não seja só você que pense assim. - refleti e depois tentei tirar aqueles pensamentos da minha cabeça.
- Ela com certeza é pintada. - Lisa disse depois de algum tempo e nós duas caímos na gargalhada, de novo.
O jantar com meus pais naquela noite foi realmente irritante. Eu estava preocupada demais para comer, ansiosa demais para ouvir o que meus pais falavam, e nervosa demais com qualquer coisa que Teresa podia estar tramando para tirar Marcos de mim. Eu realmente não sei se agüentaria ver ele e ela juntos se agarrando no meio das aulas até o final do ano.
Essa imagem adentrou meus pensamentos e eu fiquei mais inquieta ainda. Era nojento.
Tudo que vem de Teresa é nojento. Sem duvida.
- Como foi o ensaio da peça? - minha mãe perguntou, me tirando dos pensamentos.
- Hum... Ótimo. - falei, mordiscando um pão.
- E o que fez o resto da tarde? - meu pai perguntou depois de tomar um longo gole de café.
- Fiquei aqui em casa com a Lisa. - a maior parte era verdade. eu só ocultei o pequeno fato de uma visita indesejada.
Eu odiava mentir para meus pais. Eles sempre descobriam.
- Ah, amanhã depois da aula eu vou ao shopping com a Lisa. Ela precisa de um vestido novo... - mudei de assunto rapidamente.
- Hum... - disseram os dois.
- Tudo bem. - disse minha mãe. - Mas volte para o jantar.
- Claro. - eu sorri e depois me levantei levando o meu prato para a pia.
Não foi nenhuma surpresa eu quebrar um copo enquanto lavava a louça.
- Ah, Clara! - minha mãe arfou vindo da sala. - Mais um? - perguntou. Eu dei o meu sorriso inocente. - Eu já te pedi para ficar longe da cozinha e de tudo que possa ser quebrável.
- Ok, erro meu. - dei um meio sorriso, desliguei a água da pia e sai da cozinha antes que ela desistisse e me chamasse para secar a louça - mesmo estando em risco de quebrar algo.
Fui dormir cedo. Eu estava cansada. Acordar cedo já estava me matando.
Eu acordei as sete, com o despertador tocando. Cambaleando, fui até o banheiro, lavei o rosto e fui abrir a janela do quarto para ver como estava o tempo.
O sol estava atrás das nuvens, e um vento gelado me lembrou de que o inverno estava a caminho. Desanimada, fui escolher uma roupa decente para aparecer no colégio, e depois ir ao shopping. Não foi difícil optar pela calça jeans, uma blusa bonitinha e um casaco para as primeiras horas da manhã.
Foi incrível eu ter ficado cinco horas na mesma sala de Teresa sem sair por aí puxando o cabelo oxigenado dela. Terça-feira não é dia de ensaio, então aproveitei para ficar o mais distante possível de Teresa naquele dia.
Marcos sentou-se ao meu lado em todas as aulas. Ele não parecia preocupado com os olhares suspeitos de muitas pessoas na sala. Nós não nos beijamos nas aulas, - por respeito aos coleguinhas e aos professores, e porque se ele me beijasse ali, não sei se eu conseguiria parar - mas no recreio ele recompensou o tempo perdido.
- Eu mal podia esperar para ficar sozinho com você. - disse ele em meio aos beijos apressados e exagerados no meio de duas prateleiras de livros da biblioteca.
- Eu também. - respondi baixinho. Se a bibliotecária nos pegasse ia ser horrível, mas... Quem se importa?
- Que tal eu aparecer na sua casa hoje à tarde? - perguntou ele, de novo, em meio aos beijos.
Meu coração batia a mil. Embora aqueles lábios quentes me chamassem, eu consegui me afastar para olhá-lo nos olhos.
- Eu... Vou sair com a Lisa depois da aula. - respondi, um tanto confusa ao perceber a decepção nos olhos de Marcos.
- Ah, bom... - ele disse, então seus lábios se curvaram num sorriso. - Então acho que vamos ter que compensar o resto do dia agora. - terminou, e eu sabia o que ele queria dizer.
Marcos entrelaçou os braços na minha cintura, me puxando pra ele e rapidamente seus lábios já estavam colados nos meus. E aí eu já havia me esquecido de perguntar qual era o problema. Porque eu sabia que tinha algum.
Depois de vários beijos eu tentei parar e conversar novamente, mas ele não permitiu. Me prendeu na parede e eu pude sentir o calor do seu corpo colado no meu enquanto nós nos beijávamos. Era impossível pensar em alguma coisa racional enquanto ele me beijava daquele jeito, então eu resolvi esquecer e beijá-lo de volta. Meu coração inflamou no peito quando o sinal tocou e ele rapidamente me soltou.
- Só mais um. - eu pedi sorrindo, arfando, mas puxei ele para o último beijo. Era um beijo urgente, como se nunca mais fossemos nos ver. Isso me deixou inquieta, mas eu relaxei quando ele se separou de mim, sorrindo - o sorriso mais lindo do mundo - e me puxou para voltarmos à sala.
- Assim você vai acabar me matando. - disse ele enquanto subíamos as escadas que davam à sala. Estávamos de mãos dadas, isso chamou atenção de muita gente, mas principalmente dos olhos cor de caramelo de Teresa. Me surpreendi vendo que ela não estava usando lentes. Quando passamos por ela, dei uma piscadela e um sorriso. Ela virou a cara, e eu sorri triunfante.
- Olha quem fala. - respondi a Marcos. - Você é que me faz passar para o lado negro. - disse, brincando.
- O lado negro sou eu? - perguntou, incrédulo. - Acho que você devia se olhar no espelho, Maria Clara. É você que sempre me seduz. - disse ele, e eu não pude evitar rir e me inclinar para lhe dar um selinho.
Postado por Daay D. às 21h07
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Eu nunca fui do tipo que você chamaria de sortuda, sempre tropeçando por aí em círculos. Mas eu devo ter tropeçado em algo... Eu estou mesmo sozinha com você? Eu acordo sentindo que minha vida vale ser vivida, não consigo me lembrar da última vez que me senti assim. Agora quem iria pensar que alguém como você poderia me amar? Você é a última coisa que meu coração esperava. Quem iria pensar que eu algum dia encontraria alguém que me faz sentir assim? Alguns corações só dão sorte às vezes.

Sou uma menina de quinze anos que ainda acredita em contos de fadas, que gosta de ouvir música no último volume, que não vive sem as amigas, que adora incomodar as irmãs menores, que quer fazer faculdade de jornalismo, publicidade ou psicologia, que é indecisa – graças à mãe-, que é de lua, que se irrita fácil, que não gosta de nada que tenha matemática, que é fascinada pelos livros. Sou uma menina que não acredita em sorte, que quer escrever seu livro, que é viciada em chocolate, que não pode nem ver filme de terror de tão medrosa, que adora ver TV, que odeia estudar, mas estuda. Sou uma menina que quer viajar pelo mundo inteiro, conhecer gente nova e fazer compras, que sonha com seu príncipe encantado, que precisa conhecer, pelo menos, algum dos seus ídolos, para não pensar que há um complô lá em cima contra ela. Sou uma menina careta que quer muito ir para o Caribe com as amigas, ficar moreninha, beijar uns marinheiros gatchenhos e nadar naquela água transparente. Sou uma menina que acredita demais no amor. No único e verdadeiro amor. Aquele para a vida toda. Dayanne, prazer :) Pode me chamar de Day.
Contato: dayds_@hotmail.com

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