Capítulo 12
Na mesma noite meu celular tocou e era Elisa, gritando do outro lado da linha.
- Clara! Eu estou tão feliz! - ela disse.
Será que ela já sabe sobre mim e Marcos? Meu Deus do céu, as notícias correm rápido.
- Mas... - eu comecei a falar, mas ela me interrompeu.
- Você nem sabe o que aconteceu! O Paulo me beijou no cinema! - o que?
- Que? Como assim? - eu fiquei confusa percebendo que o assunto não era sobre mim.
- Nós fomos ao cinema hoje mais cedo, eu não te convidei porque o Marcos me disse que ia passar aí, mas não vem ao caso, em fim... E daí no meio do filme, quando eu estava segurando a mão dele, porque o filme era de terror, e você sabe como eu sou medrosa, ele me puxou e me beijou! Dá pra acreditar?
Paulo e Lisa? Eu nunca tinha imaginado os dois juntos, mas quando pensei até que formavam um casal bonito.
- Nossa, Lisa! - eu não sabia o que dizer. Ela estava tão feliz, mas nunca havia me dito que gostava do Paulo ou algo parecido. Eu sabia, pelos meus métodos de garota, que ele tinha uma quedinha por ela. - Que legal! - eu sou uma péssima amiga, não sou? - E o que vocês fizeram depois?
- Ah. - ela bufou. - Tive que ir pra casa depois, mas ele ficou me beijando o resto do filme! - disse ela, contente.
- E você... Você gosta dele? Eu não me lembro de você ter mencionado nada. - falei cuidadosa. Não queria estragar o momento de felicidade dela.
- Você estava muito ocupada beijando o Marcos esses últimos meses... - ela respondeu.
- Ah, Lisa! Me desculpa! - será que eu fiquei assim tão apaixonada que esqueci das amigas? Será?
- Capaz, Clara. E você com o Marcos?
- Fizemos as pazes. - eu disse alegre.
- Que ótimo!
- É, acho que agora podemos fazer um daqueles programas caretas e sair em par. - eu disse rindo.
- É. Só espero que o Paulo fale comigo amanhã. A gente quase não falou nada, sabe como é... - eu ri.
Era ótimo ver Elisa contente.
E o pensamento de todos nós juntos, os quatro amigos, me fez sorrir.
Na segunda-feira de manhã eu levantei bem disposta, pensando que veria Marcos e Elisa contentes quando chegasse ao colégio.
Eu estava nas nuvens. Marcos não saia da minha cabeça e foi naquele mesmo domingo que eu contei aos meus pais que estava namorando há três meses e que eu queria muito que eles conhecessem Marcos. Minha mãe adorou, já meu pai queria esperar para ver.
Eu estava nervosa e ansiosa ao mesmo tempo. Tinha certeza que meus pais iam adorar Marcos, mas o nervosismo me deixava agitada.
Eu cheguei no colégio no mesmo horário de sempre, e quando saí do carro o encontrei encostado na parede do colégio, com a mochila nas costas, uma calça jeans, uma camiseta branca e uma jaqueta preta por cima. Sempre tão sexy. Aquele cabelo moreno arrepiado e o mesmo sorriso de sempre.
- Bom dia, flor do dia! - ele me cumprimentou e meu coração acelerou de uma maneira confortável.
- Bom dia. - eu respondi sorrindo também, e juntos entramos no colégio junto com vários outros alunos.
Algumas alunas do ensino fundamental ainda olhavam Marcos com grande entusiasmo nos olhos. Aquela beleza não se acha todo dia, eu já disse, mas ninguém escuta.
Sentamos juntos em todas as aulas e depois fomos juntos para o anfiteatro. Elisa e eu tagarelávamos enquanto a Sra. Ucker explicava à Marcos o que ele tinha que fazer na cena. Elisa estava tão feliz quanto eu.
- Ele é ótimo... Ótimo. - ela repetia e repetia.
Eu estava achando aquilo tudo muito engraçado. Digo, o modo como ela falava dele, e como os olhos dela brilhavam. Paulo sempre fora nosso amigo, mas sinceramente, eu nunca sequer pensei que um dia os dois fossem ficar juntos. E o mais engraçado de pensar era se eu também tinha ficado assim quando conheci Marcos.
Tudo indicava que sim.
Teresa passou o dia olhando atravessado para mim e para Marcos, que nem olhava pra ela. Eu jurava que ela ia fazer um barraco a qualquer momento, mas para minha surpresa ela ficou na dela. Talvez ela fosse esperar um pouco para tentar fazer alguma coisa, ou talvez nem fosse fazer nada. Mas a verdade é que eu nem estava mais preocupada com isso. Teresa podia fazer o que quisesse, ela não me enganava mais. E eu confiava plenamente em Marcos para me contar se ela tentasse alguma coisa.
- Meus pais querem te conhecer. - eu disse a Marcos depois do ensaio para a peça, que, a propósito, estava cada vez melhor. Estávamos quase no final.
- Ah, é mesmo? - perguntou ele, me abraçando pela cintura. - Eu acho que posso achar um horário na minha agenda para eles... - disse brincando. Eu ri.
- Pode, não! Deve. - falei. - Além do mais, você tem que ir lá em casa mesmo, começar a ler o meu livro...
- Livro? - ele ergueu uma sobrancelha.
- É, sabe... Eu comecei a escrever uma história... Sobre uma menina totalmente azarada, que tem sorte de encontrar o príncipe de seus sonhos. - contei, sorrindo.
- Ficção, hein? - disse ele, então me puxou para um beijo.
- Totalmente. - eu disse depois do beijo.
- Ok, se você insiste, eu vou. Quando? - perguntou.
- Hum... Sexta-feira de noite pode ser? Uma janta?
- Para mim parece ótimo. - então ele me beijou de novo.
E de novo, e de novo.
Nosso namoro era apimentado, sabe? Nós quase chegávamos lá, mas ele sempre parava antes. Eu agradecia por isso. Porque, vai que, no calor do momento, acontece? Eu sou muito nova para ser mãe. Tenho que fazer muitas coisas ainda antes de dar esse passo. É o que aquela música diz, não é? Um passo de cada vez. Além do mais, eu ainda tenho que ir pro Caribe com as gurias, tenho que viajar muito, e escrever muito. E namorar muito, também. Nós estávamos nota dez no quesito beijos. Ah, se beijos matassem eu já estaria mortinha. Mortinha da silva.
- Ele deve chegar em cinco minutos. - falei nervosa para minha mãe.
Nós estávamos sentados na sala de estar. Meu pai me olhava duvidosamente. Segundo ele, eu só poderia namorar depois dos dezoito anos, vê se pode. Mas ele disse que estava disposto a abrir uma exceção se gostasse de Marcos.
Tudo já estava pronto. Minha mãe havia cozinhado, a mesa estava arrumada, e minha avó estava junto. Ela não perderia essa por nada. É uma romântica. Eu tenho de onde puxar.
- Ele é um encanto! - minha avó disse para meus pais. Sem dúvida ele é um 'encanto'. Vovó e seus elogios ultrapassados.
Eu ri.
- Eu ainda acho muito injusto você tê-lo conhecido e eu não. - minha mãe reclamou, dirigindo-se à minha avó.
- Eu já expliquei. - disse pela milésima vez. - Ele veio aqui fazer um trabalho há muito tempo atrás, e a vovó estava em casa. - e quando acabei essa frase a campainha tocou.
Me levantei em um salto e fui abrir a porta.
- Boa noite. - Marcos disse quando eu abri a porta. Ele usava jeans e uma camisa social. Cheiroso como sempre. Segurava um buquê de flores na mão direita.
Eu olhei aquilo e meu coração disparou. Não consegui identificar as flores, nunca fui boa nisso, mas elas eram lindas. São para a minha mãe, pensei. Certo que as flores eram para a minha mãe. Ele não ia me dar flores, ia?
- Eu trouxe para você. - ele disse então, para minha completa surpresa. Nada com o que eu não esteja acostumada.
- Obrigada. - falei admirada e peguei o buquê de flores.
Então nós entramos e eu fechei a porta. Meus pais se levantaram quando chegamos à sala, e eu os apresentei.
Eles se deram bem, no final. Meu pai pareceu gostar muito dele, e minha mãe já estava no papo. Minha avó já estava conquistada. Era difícil não gostar de Marcos. Ele era tão educado, gentil, e lindo. E sexy, claro. Muito sexy.
Depois do jantar eu fui lavar os pratos - não que eu goste, eu só queria ficar um pouco sozinha com ele, longe dos meus pais - e ele, como eu esperava, veio atrás de mim carregando os copos, apesar de eu ouvir minha mãe insistindo que não precisava. Mas Marcos consegue ser muito persuasivo quando quer. Você sabe...
Larguei os pratos na pia e me virei para olhá-lo.
- Eles gostaram de você. - afirmei ao olhar cauteloso dele.
- Mesmo? - perguntou sorrindo pelo canto dos lábios e largou os copos na pia, se aproximando de mim.
- Com certeza. Minha mãe só faltava babar nos seus pés. - eu disse e nós rimos.
Então eu me virei e liguei a torneira a fim de começar a lavar a louça. Pela visão periférica via Marcos me olhar, bem ao meu lado.
Eu ensaboava um copo quando ele se aproximou para me beijar. Sem conseqüência real dos meus atos, eu larguei o copo na pia e só consegui dar um selinho nele antes de pular para trás com o barulho do vidro se quebrando. Marcos riu. Ele com certeza devia me achar a palhaça do século.
- Cada dia menos azarada. - eu disse analisando o copo rachado nas minhas mãos.
- Hã? - perguntou com as sobrancelhas erguidas de um jeito muito sexy lindo.
- Eu, geralmente, quebro eles. - respondi a ele mostrando o copo.
- Isso não é azar. - disse ele sorrindo e me puxando pela cintura. - Você é apenas desastrada. - terminou com calma, como se estivesse falando com um bebê.
Eu, particularmente, não gostei dessa parte.
- Azarada. - afirmei mordendo o lábio inferior e colocando os braços em volta do seu pescoço.
- Desastrada. - discordou.
- Azarada. - repeti, no que ele fez uma careta. - Ah, vamos lá! Agora que eu admiti que sou azarada ninguém concorda comigo! - reclamei fazendo beicinho.
- Ok, ok. Então você é a azarada e eu sou o sortudo. - disse, um sorriso brincando nos seus lábios.
Não respondi, apenas franzi o cenho à menção da palavra 'sortudo'.
- A sorte não entra aí, não é? - adivinhou.
- De jeito nenhum. - respondi balançando a cabeça.
- Ótimo. - Marcos disse sorrindo e se aproximando para me beijar.
- Ótimo. - concordei antes que seus lábios tocassem os meus.
Como em toda vez que ele me beijava, as borboletas no meu estômago rolavam em uma sensação confortável.
E vivemos felizes para sempre.
Ok, nem tanto. Esse negócio de sorte e azar é muito relativo.
-'cabô! :x muito obrigada meninas, por todo apoio! de coraçaaaaaaão. cara, não sei nem o quê falar, vcs foram demais! Pura Sorte não existiria sem vocês *-* essa acabou, mas vão ter outras, e eu espero vocês, ok?
FELIZ ANO NOVO, e até 2009 :)
beeeeeijos e muito obrigada!
amo vocês chicas.
xoxo ;*
Postado por Daay D. às 16h38
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Eu nunca fui do tipo que você chamaria de sortuda, sempre tropeçando por aí em círculos. Mas eu devo ter tropeçado em algo... Eu estou mesmo sozinha com você? Eu acordo sentindo que minha vida vale ser vivida, não consigo me lembrar da última vez que me senti assim. Agora quem iria pensar que alguém como você poderia me amar? Você é a última coisa que meu coração esperava. Quem iria pensar que eu algum dia encontraria alguém que me faz sentir assim? Alguns corações só dão sorte às vezes.

Sou uma menina de quinze anos que ainda acredita em contos de fadas, que gosta de ouvir música no último volume, que não vive sem as amigas, que adora incomodar as irmãs menores, que quer fazer faculdade de jornalismo, publicidade ou psicologia, que é indecisa – graças à mãe-, que é de lua, que se irrita fácil, que não gosta de nada que tenha matemática, que é fascinada pelos livros. Sou uma menina que não acredita em sorte, que quer escrever seu livro, que é viciada em chocolate, que não pode nem ver filme de terror de tão medrosa, que adora ver TV, que odeia estudar, mas estuda. Sou uma menina que quer viajar pelo mundo inteiro, conhecer gente nova e fazer compras, que sonha com seu príncipe encantado, que precisa conhecer, pelo menos, algum dos seus ídolos, para não pensar que há um complô lá em cima contra ela. Sou uma menina careta que quer muito ir para o Caribe com as amigas, ficar moreninha, beijar uns marinheiros gatchenhos e nadar naquela água transparente. Sou uma menina que acredita demais no amor. No único e verdadeiro amor. Aquele para a vida toda. Dayanne, prazer :) Pode me chamar de Day.
Contato: dayds_@hotmail.com

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